por
António Perez Metelo
Redactor principal
Os comentários dos políticos sobre a marcha da economia nacional no 4º. trimestre do ano passado e, por extensão, em todo o ano de 2006, que o INE publicou na 6ª. feira passada, resumiram-se a frases tácticas para impressionar cidadãos desprevenidos. Acontece que estes números são ricos em ensinamentos, quando analisados seriamente, isto é, quando se procura o sentido e se avalia o impacto dos comportamentos económicos e sociais de decisores políticos, produtores e consumidores. Chega a ser infantil a alegação de que o Governo "falhou" a sua previsão de 1,4% de crescimento, quando o INE apurou 1,3%. Vale a pena recordar que a previsão inicial do Executivo, constante do Orçamento do Estado para 2006, era de 1,1%. E que, apresentada no Parlamento, provocou a chacota de todas as oposições, que a descartaram por ser alegadamente irrealista! Acresce o facto de o INE acabar sempre por rever em alta os dados provisórios do PIB nos últimos anos, sem olhar à cor dos governos: em 2003, a recessão, em vez de fazer cair o produto 1,1%, em termos reais, reduziu-o apenas,em 0,7%, sabemo-lo agora. E em 2004 e 2005, refeitas as contas, apuraram-se acréscimos de 0,2 pontos percentuais. O que explica estas revisões? A necessidade de separar os trigos - as variações, em quantidade, das exportações e das importações - dos joios das suas inflações cruzadas. As correcções atingiram os 448 milhões a mais, em 2003 e os 247 milhões de euros a adicionar ao PIB de 2005. Basta um acerto futuro desta ordem de grandeza nas contas de 2006 para que, afinal, tenha sido atingida, ou mesmo superada em uma décima, a meta revista do crescimento. E o que mudam, afinal, esses hipotéticos milhões a mais no produto interno? Nada! O que mudou em 2006 (e continua a mudar a economia hoje) foi a entrada, com êxito crescente, de mais empresas nacionais nos mercados externos. O que faz crescer o produto, mesmo quando, como se comprovará no fim deste mês, as administrações públicas apertam as suas contas muito mais do que se esperava!...
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