por
Paula Sanchez
Miguel Veterano Jr. (imagem)
A reabilitação urbana pode originar negócios de 80 mil milhões de euros nos próximos oito anos, se for mantido um volume de investimento idêntico ao do triénio 1999/2001, período em foram construídas 110 mil habitações novas por ano, quando o mercado só precisava de 50 mil.
A oportunidade de negócio, que pode ajudar a resolver a crise no sector da construção civil e de igual forma contribuir para o rejuvenescimento das cidades, foi defendida pelo arquitecto Manuel Salgado, durante uma conferência subordinada ao tema "Reabilitação urbana", que decorreu à margem da Exposição Viver as Cidades, promovida pelo programa Polis. A diminuição da construção a partir de 2000, notou o arquitecto, causou problemas graves ao sector da construção que afectam já o emprego. Por outro lado, agora tornou-se necessário reabilitar cerca de cem mil fogos por ano.
Falando na presença do ministro do Ambiente, Nunes Correia, e perante uma plateia que encheu o pequeno auditório do Pavilhão de Portugal, no Parque das Nações, Manuel Salgado assinalou que o sector da construção português, ao contrário do que se passa no resto da Europa, está voltado para a construção de novas habitações, tendo a reabilitação urbana um peso residual de 6%.
Com 45% dos novos alojamentos construídos entre 1980 e 2001, o nosso parque habitacional é o mais moderno da Europa, afirmou o especialista, socorrendo-se de números do Guia Técnico de Reabilitação Habitacional. Dos 6% de alojamentos anteriores a 1919, 40% estão a necessitar de obras médias ou profundas e 15% estão em ruína iminente.
E o último suspiro dos edifícios será inevitável, segundo o projectista, na ausência de políticas públicas que obstem à degradação. Exemplificando, lembrou que em 30 anos, de 1970 a 2001, 740 mil alojamentos anteriores a 1919 foram demolidos.
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