por
Joana de Belém
Hernâni Pereira (imagem)
Há anos que os moradores de Vila d'Este ouvem falar em obras na gigantesca urbanização de Gaia, "mas nunca se viu nada". Todas as semanas, Maria Sousa usa a "pistola de pressão de água para tirar a humidade da cozinha", mas no quarto "não há maneira de sair", explica, antes de aproveitar a deixa para entregar o panfleto das Testemunhas de Jeová. Há casas "muito degradadas e segurança não há muita", diz a reformada, uma das 16 mil pessoas que ocupam os 109 edifícios de "uma das manchas de maior concentração demográfica e área do Grande Porto".
"O [Luís Filipe] Menezes anda a prometer há muito tempo, mas até cumprir... Passa aí e até o insultam porque não vêem resultados", diz Cláudia Torres, proprietária do café Bila, antes de saber que o presidente da câmara apresentou, ontem, um projecto de requalificação. Orçado em 22 milhões de euros, tem apenas um entrave: a sua concretização depende do apoio financeiro do Estado. "Se o Governo nos ligar a dizer que o dinheiro está disponível, lançamos o concurso amanhã", garantiu o vice- presidente e responsável pela empresa municipal de Habitação, Marco António Costa. "Era necessário e de que maneira, já viu como estão os prédios?", diz Cláudia.
Segundo o presidente da autarquia, pretende-se que o Governo assuma 40% "através do Programa de Financiamento para Acesso à Habitação ou qualquer outro programa", enquanto "a câmara, através de fundos próprios (20%) e de empréstimos bonificados (40%), assumirá o restante".
O projecto, elaborado pelo Gabinete técnico de Vítor Abrantes, vai permitir a requalificação de todo o edificado, todo o espaço exterior e, ainda, a construção de uma igreja. No fundo, pretende-se a concretização de quatro objectivos: eliminar as anomalias, adequar os espaços às exigências actuais, reabilitar arquitectonicamente e aumentar a auto-estima da comunidade, que transporta uma "injusta etiqueta que não corresponde à realidade que ali se vive".
Embora a maioria das habitações seja privada, Menezes lembrou que a construção foi "fomentada e co-financiada" nos anos 70/80 pelo Governo, através do sistema corporativo: "Faz sentido que não lave agora as suas mãos e dê o impulso necessário para o arranque do projecto."
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