por
Fernando Madaíl
As ideias que Álvaro Cunhal tinha acerca do partido em 1946, de acordo com o informe escrito para o IV Congresso, continuam actuais, defendeu Jerónimo de Sousa. O secretário-geral comunista participava na apresentação das Obras Escolhidas de Cunhal, cerimónia que assinalou ontem, no Hotel Altis, em Lisboa, o 86.º aniversário do PCP.
"Nos textos do camarada Álvaro Cunhal agora publicados, todos escritos há mais de seis décadas" - o primeiro dos seis volumes, agora lançado, só abarca o período de 1935 a 1947 -,"relevam questões que continuam a ter uma actualidade incontornavel e são uma referência para os comunistas do nosso tempo", sustenta Jerónimo.
O secretário-geral do PCP considera ainda que é no IV Congresso, realizado na clandestinidade em 1946 - quando, apesar da "sanha repressiva" do fascismo, o partido teria cinco mil militantes e quatro mil simpatizantes , "os números mais expressivos até ao 25 de Abril de 1974" -, que Álvaro Cunhal avança com "a definição teórica da identidade do partido e a concretização prática dessa identidade".
E é essa identidade - onde se incluem "os princípios orgânicos do centralismo democrático" e o "notável e relevante" conceito de "trabalho colectivo" - que se torna sempre "o alvo prioritário e preferencial de todas as ofensivas contra o partido, sejam elas externas, sejam internas".
O director da Editorial Avante!, Francisco Melo, que está a fazer a selecção das obras completas - neste volume há textos que vão desde a polémica sobre estética travada com José Régio na revista Seara Nova à sua tese de licenciatura sobre o aborto, passando por artigos na imprensa legal, informes partidários e cartas para a Internacional Comunista Jovem ou para Abel Salazar - considera que o estudo do "legado teórico" de Cunhal "é uma das principais vertentes estruturantes da formação política e ideológica dos militantes". Aliás, a obra escrita por Cunhal é, em seu entender, "uma arma insubstituível para desmistificar a actual ofensiva anticomunista".
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