por
Ângela Marques
José Carlos Carvalho (imagem)
É a morte do artista: se o Ministério da Educação cumprir o que prometeu aos conservatórios de música, estes vão deixar de ter lugar para mais de metade dos seus alunos e professores. A vontade de pôr fim à modalidade de ensino que permite aos jovens conjugar a escola regular com as aulas de música foi apresentada há duas semanas às instituições, que hoje se reúnem para definir uma estratégia de sobrevivência.
Começou tudo num "estudo mal elaborado por três professores da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade Clássica de Lisboa, que avaliaram o sucesso do conservatório pelo número de diplomas dados". Wagner Dinis, presidente do conselho executivo da Escola de Música do Conservatório Nacional, em Lisboa, explica melhor: "Nas outras escolas, para saber se há êxito conta-se o número de diplomas do ensino secundário. Como para aceder ao ensino superior, os alunos desta escola não precisam de diploma, precisam de passar numa audição, a maior parte não termina o seu diploma, deixa disciplinas para trás."
Mas será esse um sinal de insucesso? "O ministério diz que é, nós dizemos que não." Porquê? "Se a nossa função é formar alunos e prepará-los para o ensino superior, estamos a cumprir cabalmente essa função. Estamos a fazer melhor, conduzindo-os à vida profissional. Vamos ao coro da Gulbenkian, ao do São Carlos, às orquestras, às bandas militares, e grande parte dos elementos são nossos alunos. Até nos talk-shows estão."
Além dos estudantes que não concluem os oito graus de música - que dão direito ao tal diploma no conservatório - e se candidatam à Escola Superior de Música para tirar uma licenciatura, há ainda os que a ministra quer reduzir "a números ínfimos", diz Wagner Dinis. Os que frequentam a modalidade de ensino supletivo e que vão ao conservatório fazer as disciplinas de música, continuando a Matemática, o Português e todas as outras "onde bem entenderem". Na Escola de Música do Conservatório Nacional, em Lisboa, são 600. Num total de 800 estudantes.
"No trabalho elaborado a pedido da ministra - que era suposto já ter chegado às escolas e não chegou - aponta-se para a quase exclusividade do ensino integrado", avança Wagner Dinis. Nesta versão, os alunos fazem todas as disciplinas dentro do conservatório, o que os impede de, a meio do percurso, desistirem da música e decidirem candidatar-se a Medicina - que exige disciplinas que os conservatórios, como existem, não podem dar (ver caixa).
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