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sociedade

Mais uma agressão a professor no Porto

por

Elsa Costa e Silva  

Primeiro vieram os insultos da avó em pleno recreio da escola, onde decorriam as actividades desportivas na EB1 de Ramalde, no Porto. E, enquanto tentava acalmar a senhora que o acusava de ter batido no neto, o professor de educação física acabou por ser agredido pelo avô, a soco, "quando nem sequer estava a olhar para ele". O relato de G. J. é mais um caso, o segundo nesta semana, de agressão a um professor pelo familiar de um aluno.

Foi no final da tarde de terça-feira, já perto das 17.00, que o casal invadiu a escola. Um episódio que se seguiu a uma série de insubordinações do neto, uma criança de sete anos que, já de castigo e fora da sala onde decorriam as suas actividades de enriquecimento curricular, acabou no recreio a perturbar a aula de G. J. "É um aluno crítico", explica o professor.

Na sequência de várias frases em que gozava o professor, a criança acabou por chamá-lo de "palhaço". G. J. repreendeu-o então, mais uma vez, mas agora "de uma forma mais ríspida". O aluno fugiu da escola, "como já tinha feito várias vezes", foi a casa, e quando regressou, vinha acompanhado dos avós, seus encarregados de educação, que invadiram a escola. Enquanto tentava explicar à avó o que tinha acontecido, foi atingido por um soco do avô, "à má fila". Pegou nas suas coisas e foi para dentro da escola. "Apenas o afastei de mim e não respondi. Não seria com um reflexo igual que se resolveria fosse o que fosse", explica o professor.

Apresentou queixa na PSP por querer "marcar uma posição". Lecciona há quatro anos, também em outros locais "difíceis" do Grande Porto, "mas nunca com estes problemas". Fisicamente, diz, está bem. Do incidente apenas resultaram um hematoma e o deslocamento da prótese dentária. Mas "moral e psicologicamente", está abatido. A ponto de não saber o que fazer no futuro: "Isto deixa-me a pensar para que investi tantos anos em educação", afirma o professor, de 28 anos.

Manuel Maio, presidente da junta de freguesia de Ramalde - a entidade que protocolou com o Ministério da Educação as actividades de enriquecimento curricular -, mostra-se "preocupado" por uma criança de sete anos "achincalhar" desta forma um professor. Garante, contudo, que é um caso isolado na comunidade de Campinas, um dos maiores bairros sociais do Porto. E defende que sem "programas de acompanhamento social e psicológico às famílias desestruturadas" não será possível travar situações desta natureza. A criança em causa, ao que o DN apurou, é filho de uma mãe solteira adolescente, sendo criado pelos avós, ambos "também jovens".


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