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Da saúde à OPA

por

Luís Delgado

Jornalista  

1. O primeiro combate, que pode ser decisivo, entre a PT e a Sonaecom acontece já esta sexta-feira, dia 2, quando a Assembleia Geral da PT decidir se desblinda, ou não, os seus estatutos. A não existirem dois terços de accionistas a aprovar a desblindagem (permissão para que um único accionista possa deter mais de dez por cento do capital e respectivos direitos de voto), então estará tudo terminado, pondo-se fim a este processo que dura há um ano. A contagem dos votos tem estado a ser feita, ponto a ponto, nos meios de comunicação social, mas muitas dúvidas existem sobre alguns dos accionistas estrangeiros de referência, que apesar de já terem anunciado que não vão vender as suas posições, a 10,5 euros, não revelaram o sentido do seu voto na AG. Em teoria, e até para poder ir a jogo até ao final, esses fundos poderão votar a desblindagem, mas poderão não vender no final da operação, o que também não impede que a Sonaecom alcance os 50 por cento mais uma acção, o suficiente para passar a controlar a empresa. Esta será uma semana crucial, em que as duas partes jogarão os trunfos mais importantes, em termos noticiosos, sendo que na verdade só na sexta, na contagem dos votos, é que se perceberá, em definitivo, se a OPA vai em frente ou morre ali. É o combate da semana, entre grandes exércitos, que pode simplesmente resultar num adiamento para a outra semana, onde então se verá quem vai a jogo, e com quanto.

2.O ministro da Saúde, no sua euforia decisória, sem se importar muito com a qualidade mas apenas com a quantidade, já recuou na ideia de fechar uma série de urgências, depois dos protestos em crescendo das populações atingidas. Correia de Campos sempre teve "grandes" ideias para a saúde em Portugal, mas o problema é que faz importações assépticas de modelos de outros países, cujas realidades não se comparam, nem aplicam, ao caso nacional. Daí a discrepância e o autismo do ministro, que de tanto querer fazer, atabalhoadamente, e sem ponderar os efeitos, recua à mesma velocidade com que avançou, na vertigem de mostrar talento, rapidez decisória e resultados eficazes. O ministro Correia de Campos, infelizmente, esquece-se quase sempre dos pormenores básicos, como o facto de que um serviço de urgência (!), por poucos atendimentos que faça, tem duas funções essenciais: estar à mão e dar segurança real e psicológica às populações entre as quais existe. Senão teria outro nome, ou funcionaria de forma diferente. Será que ele não percebeu logo que o nome e a tarefa queriam dizer alguma coisa de especial e decisivo?

3.Paulo Portas vai pronunciar-se sobre o CDS/PP e o seu futuro, mas adivinha-se que, sendo esta a altura certa para falar, e cumprindo a promessa que tinha feito, vai ainda demorar algum tempo a reassumir o partido, se esse for o caso. O dilema de Portas é fácil de descrever: tem de voltar a um sítio onde foi muito feliz, mas com novas propostas, um discurso igualmente inovador e uma estratégia ganhadora. Ou seja, Paulo Portas sabe que não pode voltar com o mesmo espírito de Gorbachev quando regressou a Moscovo. Está tudo mudado.


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