por
Cadi Fernandes
Londres, pela voz do primeiro-ministro, Tony Blair, anunciou, ontem, a retirada do Iraque de 1600 soldados britânicos "nos próximos meses". Melhor, já em "Abril ou Maio", como especificaria o ministro da Defesa, Des Browne, em entrevista à Sky News. Copenhaga também decidiu que o grosso das suas tropas sairá em Agosto. E Vilnius encara fazê-lo até ao Verão.
Nada, porém, que perturbe os EUA. Dick Cheney, vice-presidente americano, mantém-se imperturbável no seu optimismo e Condoleezza Rice, secretária de Estado, garante que a coligação internacional "permanece intacta" . As autoridades iraquianas, essas, não podiam estar mais satisfeitas. Pelo menos, é isso que deixam transparecer.
Apesar deste prenúncio de debandada, não se verificará qualquer movimentação de tropas americanas do norte, onde estão estacionadas, para o sul do Iraque, que ficará mais desguarnecido devido à saída das tropas britânicas de Baçorá, informou um porta-voz do Pentágono, Bryan Whitman, assegurando que esta retirada estava planeada "há meses". Ou seja, "não é nada repentina ou inesperada", tendo sido concertada com George W. Bush.
De facto, mesmo antes de Tony Blair fazer o anúncio na Câmara dos Comuns, este tema, volta e meia, já fora evocado, até pelo número de soldados britânicos mortos (132) desde a invasão, em Março de 2003. Blair, ao revelar que o contingente passará de 7100 para 5500, fez questão de salientar que o potencial de combate das tropas não será afectado, prevendo-se que permaneçam até 2008. Objectivos: garantir a segurança das rotas de distribuição de víveres, vigiar a fronteira com o Irão e apoiar os soldados iraquianos. Isto depois da chamada recente Operação Sinbad, que se destinou a "limpar" a cidade xiita de Baçorá.
Do lado de Bagdad, houve satisfação. "São muito boas notícias. Agradecemos ao exército britânico por tudo o que fez no sul do Iraque. Um trabalho brilhante", disse à BBC Mowaffak al-Rubaie, conselheiro de Segurança Nacional iraquiano.
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