por
Márcio Alves Candoso
O Banco do Japão anunciou ontem que vai subir a sua principal taxa de juro de referência em um quarto de ponto percentual, para 0,5%. A nova taxa é a mais alta da última década. A mexida é a segunda no mesmo sentido, depois de em Julho passado ter subido do zero para 0,25%, a primeira subida em seis anos.
Depois de uma primeira reacção em alta, o iene caiu para valores mais baixos que os anteriores face ao dólar e ao euro. Os receios de que a uma subida das taxas de juro se seguisse uma valorização do iene demonstraram, para já, não ter fundamento. É que o Banco do Japão, ao mesmo tempo que anunciava as novas taxas, teve o cuidado de dizer que não estimava novas mexidas nos próximos tempos. Segundo os analistas que aplaudiram a visão do gorvernador Toshihiko Fukui, o Banco do Japão conseguiu, no mesmo passo, aumentar a remuneração de capitais naquele país, sem deixar que o ambiente criado em volta do iene fosse de molde a uma apreciação da moeda, o que contrariaria a necessidade de as exportações continuarem a evoluir positivamente. A questão, segundo as mesmas fontes, é outra: é que o crescimento japonês estava a ser muito alavancado, nos últimos tempos, pelo consumo privado interno, o que pode provocar, a prazo, tensões inflacionistas indesejáveis. No entanto, o fantasma inflacionista é, para já, desmentido pelas estatísticas que demonstram que os preços, em Janeiro subiram apenas 0,1% em termos homólogos, num país que cresce a taxas anualizadas de 3,5%.
O Governo japonês, que anteriormente tinha dado conta de que não apoiaria uma alta das taxas de juro, veio ontem concordar com a avaliação feita pelo Banco do Japão, dizendo que ela terá sido "minuciosamente examinada".
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