Publicidade
Diário de Notícias Diário de Notícias


artes

Acusação de plágio agita mundo da música clássica

por

José Mário Silva  

Até ao início deste ano, o nome de Joyce Hatto era uma espécie de segredo que certos melómanos partilhavam com o fervor e a entrega típica dos fenómenos de culto. Pianista discreta, Hatto abandonara os palcos na década de 70, devido a um cancro, dedicando desde essa altura toda a sua energia à gravação em estúdio de um repertório vastíssimo, que ia de Scarlatti a Messiaen, passando pelos grandes ciclos de sonatas (Haydn, Mozart, Beethoven, Schubert, Prokofiev) e por interpretações "miraculosas" dos compositores considerados mais difíceis (como Liszt ou Rachmaninov).

Após uma primeira onda de euforia, em que os discos de Hatto, publicados pela minúscula etiqueta Concert Artist (pertencente a William Barrington-Coupe, seu marido), foram postos nos píncaros pela crítica das revistas especializadas, chegou o balde de água fria. Já depois da sua morte em Junho de 2006, aos 77 anos, começaram a surgir rumores na internet que punham em causa as suas interpretações. Como é que uma mulher doente conseguiu gravar num período tão curto (cerca de dez anos) um número superior a cem discos de alta qualidade, com obras dos compositores mais diversos?

No auge da especulação, um crítico da Gramophone, Jeremy Nicholas, escreveu um artigo em que pedia, a quem as tivesse, provas materiais de alguma ilicitude relacionada com Hatto e os seus discos. Mas ninguém se chegou à frente.

Foi preciso esperar por um golpe do acaso para que o escândalo rebentasse. Na semana passada, Jed Distler, outro crítico da Gramophone, ao colocar o disco com os 12 Estudos Transcendentais de Liszt, por Hatto, no seu computador, viu o software iTunes identificar correctamente a obra, mas não a intérprete. Segundo a máquina, o ficheiro de som pertenceria antes a um disco de Lászlo Simon - informação que Distler confirmou, ao ouvir a gravação original do pianista húngaro.

Para tirar tudo a limpo, a Gramophone pediu a Andrew Rose, um engenheiro de som, que comparasse as ondas sonoras dos discos "suspeitos" de Hatto com as dos registos supostamente plagiados ou manipulados. O veredicto foi arrasador: para além de Simon, Hatto terá clonado interpretações de Carlo Grante, Bronfman ou Ashkenazy, diz Rose. E a investigação ainda agora começou.


Ler Artigo Completo(Pág.1/2) Página seguinte
Patrocínio
 
0Visualizações
0Impressões
0Comentários
0Envios
Ferramentas

Enviar por EmailEnviar por EmailPartilharPartilhar
ImprimirImprimir
Aumentar TextoAumentar TextoDiminuir TextoDiminuir Texto

FERRAMENTAS
 
  • Enviar por EmailEnviar
  • PartilharPartilhar
  • ImprimirImprimir
  • Comentar este ArtigoComentar este Artigo
  • Aumentar TextoAumentar Texto
  • Diminuir TextoDiminuir Texto
 
PARTILHAR NOTíCIA
 

Especiais

Recuar
Avançar
PUBLICIDADE

Provedor do Leitor
Epaper
Feira do Livro


PATROCÍNIO
sondagem

Inquérito DN

Ajustamento do plano de ajuda financeira a Portugal é inevitável?

Sim
Não
Votar  Ver Resultados




DN

Revistas de Imprensa

Revistas de Imprensa

Portugal

Grande Entrevista

Grande Entrevista

Desporto

Todas as notícias

Todas as notícias