por
Joana Pinheiro
Subimos ao castelo da cidade que deu o nome às Linhas de Torres. Para lá do núcleo urbano espraiam-se os campos agrícolas. Os tradicionais moinhos de vento perdem-se entre as dezenas de aerogeradores que nos últimos anos foram instalados no concelho. Novos ventos mudaram a paisagem, assinalando o crescimento económico potenciado pela construção da A8.
O rio Sizandro atravessa a cidade. A sul, o CampoReal, o primeiro resort turístico de luxo do concelho, cresce de dia para dia na aldeia do Turcifal. A norte, nas Palhagueiras, está a surgir o maior núcleo industrial de Torres Vedras. Rural e industrial, o maior município do distrito de Lisboa, com 407 quilómetros quadrados, quer apanhar o comboio do desenvolvimento turístico, sem esquecer o património.
"Sempre tivemos uma indústria muito forte, relacionada com a agricultura, é certo. O homem do campo que trabalhava as oito horas na fábrica tinha um terreno que cultivava para agricultura de subsistência", explica ao DN Mário Reis, presidente da Associação Comercial e Industrial do Oeste (ACIRO), referindo-se a Torres Vedras. Mas as grandes unidades industriais, como a Casa Hipólito e a empresa Francisco António da Silva, fecharam portas nos anos 80, incapazes de se adaptarem aos novos tempos. Contudo, "Torres Vedras nunca sentiu desemprego, na medida em que nasceram dezenas de pequenas empresas, sobretudo, a nível da metalomecânica. A componente industrial tornou-se menos visível mas a indústria continua a ser muito importante em termos económicos", sustenta o autarca Carlos Miguel.
A revisão do plano director municipal (PDM) - que já obteve parecer favorável da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional e aguarda ratificação final do Governo - vai permitir a criação de novos pólos industriais, para além dos Polígonos do Ameal e Bairro Arenes e da área industrial de Paul, onde se localiza uma das três maiores empresas do concelho, a Chagas S. A., que comercializa máquinas e produtos siderúrgicos.
Segundo dados camarários, em 2004, Torres Vedras contabilizava 11 660 empresas, distribuídas entre os sectores do comércio (30%), construção civil (28%) e agricultura (13%), com um volume de negócios na ordem dos quatro milhões de euros.
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