por
Lília Bernardes
No Funchal
Confirmaram-se as expectativas. Alberto João Jardim demitiu-se do cargo de presidente do Governo Regional da Madeira, tenta provocar eleições antecipadas e recandidata-se ao cargo. Uma oportunidade para os madeirenses "mostrarem ao País e ao mundo" que "repudiam a maldade e a injustiça" do Governo Sócrates, que lhes impôs a Lei das Finanças Regionais.
Na declaração aos madeirenses lida ontem, no final da tarde, Jardim apresentou os argumentos para a decisão. O Governo da República e as políticas do primeiro-ministro, com especial enfâse para a Lei de Finanças das Regiões Autónomas são os verdadeiros culpados que o forçam a tomar esta atitude. No dia em que o diploma foi publicado em Diário da República, o improvável aconteceu na história política da Madeira. Um governo com maioria absoluta extremamente confortável, eleito há dois anos, provoca a sua queda para voltar a ser sufragado com o mesmo candidato a líder.
Na intervenção tudo ficou muito claro num cenário dramático que evoca os primeiros sinais de uma campanha eleitoral dura que se aproxima. "Decidi apresentar a demissão do Governo Regional, o que implica a dissolução da Assembleia Legislativa da Madeira já que a maioria social-democrata inviabiliza a formação de qualquer novo executivo. Assim, e nos termos da Constituição da República, terão de ocorrer eleições regionais para um mandato até 2011", disse Jardim com ar solene e seguro.
Passavam poucos minutos das 19 horas e o "suspense" quebra-se, apesar de a surpresa ter vindo a desfalecer longo do fim-de-semana. Faltava saber as razões.
Comecemos pelas "violações" da Lei Fundamental, do Estatuto Político-Administrativo, ou seja, "os direitos de cada um dos madeirense" vítimas do "poder de Lisboa" que, com "a cumplicidade e a traição de socialistas locais, publicou a lei de finanças regionais", a "lei pérfida" tantas vezes citada por Jardim ao longo dos últimos meses, "subtraindo-nos assim, pelo menos até 2014, à volta de 450 milhões de euros".
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