por
Lília Bernardes
No Funchal
A oposição não tem dúvidas de que o líder do PSD/M vai anunciar hoje à população, no final da comissão política, a decisão de demitir-se de presidente do governo da Madeira, provocando, assim, eleições antecipadas. Alguns dos partidos já fazem contas à vida e, sobretudo, projecções dos resultados de 2004 face à nova Lei Eleitoral que altera a organização do sistema. A Assembleia Legislativa da Madeira (ALRM) passa a ser composta por 47 deputados (redução de 22) eleitos por um círculo eleitoral único.
Por outro lado, ninguém esconde que o clima de vitimização poderá ser benéfico para os objectivos de Jardim, que se vai recandidatar.
António Trindade, militante socialista, presidente de um dos maiores grupos hoteleiros madeirenses, está "convencido" de que o presidente do governo "vai demitir-se. É uma estratégia errada, pois se a 'guerra' é contra Lisboa, as eleições só terão efeitos políticos internos", num registo de "afirmação pessoal e regional em relação ao poder central" estimulado pelo "cheiro a pólvora", um aditivo natural de que o dirigente social-democrata tanto "gosta e precisa", disse ao DN. "O carácter belicista do dr. Jardim, de permanente hostilidade e conflitualidade institucional", nomeadamente com o primeiro-ministro, José Sócrates, e com o Presidente da República, Cavaco Silva, "tem repercussões negativas na economia regional, fragilizando-a", sublinhou.
E o PS, está preparado? Uma verdade parece certa. Havendo eleições, o congresso do PS/M, previsto para Maio, ficará comprometido. Não há tempo para preparar uma alternativa ao actual líder. Jacinto Serrão torna-se no candidato inevitável que irá medir forças com Jardim, jogando, assim, o seu futuro político numa campanha em que o PS será o alvo das críticas, acusado de ser o autor da Lei das Finanças Regionais (LFR) e do "garrote financeiro" à região.
No meio deste enredo, o CDS/ /PP ganha esperança. A nova Lei Eleitoral beneficia-o. Para Ricardo Vieira, ex-dirigente dos populares, este é "um desafio complicado" para o partido, mas não impossível. "É preciso constituir uma lista com nomes credíveis e ponderar a possibilidade de o PSD ficar dependente de uma coligação para formar governo. O CDS beneficia de uma não colagem a Sócrates. E nunca foi favorável à LFR no que se refere à Madeira. Só se absteve na votação porque o CDS Açores concordou com o diploma aplicado àquela região", disse Ricardo Vieira ao DN.
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