por
João Pedro Henriques*
A oposição na Câmara Municipal de Lisboa (CML) pondera retirar poderes a Carmona Rodrigues. Dado estar em maioria no executivo - nove vereadores contra oito do PSD, Carmona incluído - tem meios para levar a iniciativa avante. Tudo depende da forma como correr a reunião do executivo convocada para a próxima quinta-feira e destinada a discutir a crise na autarquia.
Nuno Gaioso Ribeiro, do PS, e Ruben de Carvalho, do PCP, verbalizaram ao DN que esta é uma hipótese efectivamente em cima da mesa. "É preciso assegurar um maior acompanhamento mas sem que isso constitua factor de bloqueio", disse Ruben. "Na sequência da crise, é natural que o problema se coloque. Há uma situação crítica de legitimidade política e portanto é necessário um maior acompanhamento dos dossiers mais estratégicos. Sobretudo porque as mudanças na equipa do PSD foram nos pelouros mais relevantes [Finanças e Urbanismo], que são os que atravessam maiores dificuldades", acrescentou Gaioso Ribeiro.
O objectivo não é fazer com que Carmona Rodrigues distribua pelouros pela oposição. É, isso sim, retirar-lhe poderes que são da sua exclusiva competência, transferindo--os para o escrutínio de todo o executivo. Por outras palavras: decisões que o presidente podia tomar sozinho passariam a ser sujeitas a votação de toda a vereação.
Um exemplo: a oposição quer manter sob rigorosa vigilância o negócio (originalmente proposto por Maria José Nogueira Pinto) pelo qual a CML tenciona vender à banca as rendas dos bairros sociais actualmente cobradas pela Gebalis (a empresa municipal de gestão dos bairros sociais).
Aliás, este exemplo, referido por Gaioso Ribeiro, não é inocente. O eleito socialista considera também "muito interessante" escrutinar "à lupa" às áreas de responsabilidade do vereador social-democrata Sérgio Lipari Pinto (Acção Social). Na última reunião do executivo, os vereadores da oposição chumbaram--lhe a nomeação de uma directora municipal. E observam com atenção a forma como Lipari Pinto tem actuado sobre a administração da Gebalis, escolhida quando Maria José Nogueira Pinto tutelava a empresa.
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