Milhares de pessoas provenientes de toda a Itália manifestaram-se ontem em Vicenza, no Norte do país, contra o alargamento de uma base militar norte-americana e a favor da paz. As autoridades temiam os excessos de radicais anarquistas e altermundialistas, após semanas de incidentes, nomeadamente de violência ligada a clubes de futebol.
O aparato policial era muito evidente, com mais de 1500 agentes mobilizados, dispondo de helicópteros. Em Vicenza, todo o comércio foi encerrado. No entanto, durante as quatro horas que durou a marcha, não se registou qualquer problema.
Segundo cálculos das autoridades municipais, o protesto pacífico contou com uma multidão calculada entre 70 e 80 mil manifestantes. Os organizadores mencionaram um intervalo entre 100 mil e 150 mil pessoas, o que, no valor mais elevado, ultrapassou em muito a própria dimensão da cidade.
Participaram na manifestação numerosos comunistas, ecologistas e pacifistas de organizações políticas e sindicais. Chegaram a Vicenza em excursões de autocarros e comboios fretados. Durante o desfile de seis quilómetros foram visíveis cartazes de repúdio, não apenas pelo alargamento da base, mas pela sua própria existência. No final, houve um espectáculo de teatro, em que participou o Prémio Nobel da Literatura Dario Fo.
O primeiro-ministro, Romano Prodi, que aprovou o alargamento da base militar com oposição dos partidos de esquerda da sua coligação, fizera antes um apelo à contenção dos manifestantes. No protesto participaram líderes do Partido da Refundação Comunista e de Os Verdes, duas formações que sustentam a coligação, mas, segundo Prodi, não houve "quebra de solidariedade" governamental, pois não compareceram os ministros do Governo afectos aos dois partidos, após o primeiro-ministro ter avisado: "Ninguém se manifesta contra si próprio."
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