por
Júlio Almeida, Alfredo Mendes e Martim Silva
Paulo Spranger (imagem)
O secretário-geral da Juventude Socialista (JS), Pedro Nuno Santos, esclareceu ontem que ainda "não há prazo definido" para a apresentação do anteprojecto tendo em vista a legalização do casamento entre homossexuais.
Numa breve declaração, Pedro Nuno Santos garantiu mesmo que o assunto "não faz parte das prioridades actuais" da JS. "Dissemos que íamos retomar o anteprojecto mas não decidimos quando e não é para agora", explicou, depois de uma reunião do Secretariado da JS que teve lugar ontem em Aveiro.
"Não queremos que seja no imediato ao referendo do aborto, até porque há um processo de regulamentação para acabar e não é prioridade nem faz sentido neste momento", acrescentou o deputado socialista. Cuidados que se prendem, explicou, com o desejo de a iniciativa "vir a ter sucesso".
Recorde-se que em Fevereiro do ano passado (quando a intenção do PS de realizar um referendo sobre o aborto tinha fracassado duas vezes nos meses anteriores), o líder da JS apresentou no Parlamento o ante-projecto de lei dos jovens socialistas. Mas, na altura, a iniciativa foi prontamente travada pela bancada parlamentar liderada por Alberto Martins. Razão: vinha aí o referendo sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, matéria em que o PS se empenhava fortemente (era mesmo uma promessa eleitoral) e não era altura de lançar novos temas fracturantes para cima da mesa. Meses depois, a moção de José Sócrates ao congresso do PS (em Novembro) era clara, e adiava ainda mais o assunto: novos temas fracturantes só depois de 2009, com nova legislatura.
Entretanto, outro ministro, o influente Pedro Silva Pereira (Presidência do Conselho de Ministros), declarava que "a preocupação do Governo está muito longe de ser dominada pela agenda de questões fracturantes". E ontem mesmo, em entrevista ao Expresso, e quando questionado sobre o casamento dos homossexuais ser regulado por lei, José Sócrates repetia a frase: "Não temos uma agenda de casos fracturantes. Nem estamos obcecados por casos fracturantes."
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