por
Ilídia Pinto*
em Luanda
A Unicer estima facturar este ano, em Angola, 75 milhões de euros, correspondentes a vendas superiores a 150 milhões de litros de bebidas. Os números representam um crescimento de 29,3% em valor e de 45,6% em quantidade face a 2006, ano em que obteve vendas superiores a 103 milhões de litros, que geraram uma facturação da ordem dos 58 milhões de euros. Este mercado representa já 68% das vendas da Unicer nas mercados externos e 28% das vendas totais de cerveja da empresa.
Angola é classificada por António Pires de Lima, presidente da Unicer, como "o caso mais interessante na explosão de actividade da Unicer nos países lusófonos", já que passou de vendas quase inexistentes em 2000, para 86 milhões de litros de cerveja exportados em 2006 e 18 milhões de litros de águas. Em Janeiro, a empresa registou já um crescimento da ordem dos 61% face ao mesmo mês de 2006. As razões de sucesso apontadas são "a força das marcas Unicer", com especial destaque para a Super Bock, que registou 40 milhões de litros vendidos em 2006, mais 144% face ao ano anterior.
Cristal e Carlsberg são as outras marcas presentes no mercado angolano, garantindo à Unicer, em conjunto com a Super Bock, 34% da quota do mercado cervejeiro local. Segundo as estimativas do grupo - que no fim de 2006 realizou um estudo de mercado para conhecer melhor os consumidores locais -, Angola consome anualmente 511 milhões de litros de cerveja, prevendo-se que, até 2019, possa atingir vendas próximas dos 900 milhões. Tal representa uma taxa média de crescimento de 164%. "Uma janela de oportunidade de crescimento fantástica", considera António Vaz Branco, responsável pela coordenação da área internacional do grupo.
Convicção sustentada pelo estudo, que indicou que o consumidor é muito jovem e menos masculino que em Portugal. "Tendo em conta que Angola tem um rendimento per capita quatro a cinco vezes inferior ao português e que os preços ao público são mais elevados, as vendas alcançadas neste mercado são já qualquer coisa de extraordinário", diz Pires de Lima. Se acrescentarmos a isso o facto de o mercado estar a crescer 30%/ano e de grande parte da população ter menos de 15 anos, a conclusão é que "rapidamente ultrapassará o mercado português".
A soma das vendas do líder de mercado, os franceses da Castel - detentores da marca Cuca, a cerveja mais vendida naquele país -, e da Unicer permite concluir que as duas empresas controlam 80% do mercado local de cervejas. "É preciso ter em conta que a cerveja é, neste país, um substituto da alimentação, dado que o teor de álcool tira a sensação de fome", lembra João Sampaio.
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