por
Susana Leitão
A câmara aprovou ontem a constituição de um grupo de trabalho que tem três meses para elaborar um estudo sobre o património habitacional municipal. Em causa estão cerca de 4000 fogos que o executivo quer pôr no mercado a preços convidativos para jovens. Só que, segundo o vereador do Bloco de Esquerda, 80% destas habitações estão em muito mau estado e algumas mesmo em risco de ruína iminente.
Dos cerca de 4000 fogos municipais que Carmona Rodrigues pretende colocar à venda 50% abaixo do preço do mercado (ou 25% em caso de arrendamento), 3200 estão degradados e "há 70 casas em risco de ruína", disse ontem José Sá Fernandes, após a reunião de câmara. O vereador do BE garante a fiabilidade dos números, até porque lhe "foram cedidos pela direcção municipal de habitação".
A proposta, subscrita pelo presidente da autarquia lisboeta e pelo vice-presidente, Fontão de Carvalho, foi aprovada (com a abstenção do PCP) mas só depois de ser totalmente alterada. "O que ficou estabelecido foi que será constituído um grupo de trabalho que, num período de 90 dias, apresente uma proposta para ser novamente apresentada à autarquia, relativa ao património habitacional disperso" da câmara, explicou Dias Baptista, vereador do PS. Para Maria José Nogueira Pinto (CDS/ /PP) "são 4000 buracos mas que podem tornar-se numa excelente oportunidade".
Já a proposta conjunta do PS e do BE sobre política habitacional foi aprovada por unanimidade. O documento salvaguarda que a equipa técnica responsável pelo Plano Director Municipal (PDM) assegure quotas de reserva de terrenos ou construção de fogos a custos controlados. "O objectivo é avaliar as diferentes áreas da cidade de forma a desenvolver uma malha urbana que possa integrar toda a gente, e não construir guetos para gente rica e gente pobre", explicou Isabel Seabra, do PS.
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