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'Gatos' alcançam o seu melhor resultado de sempre

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Paula Brito  

Não faço ideia de qual é o segredo para este sucesso. Se soubesse, a RTP teria de nos pagar muito mais do que paga", brinca Ricardo Araújo Pereira (RAP), relativamente aos 1,542 milhões de espectadores (16,3%) que viram este domingo o Diz que é Uma Espécie de Magazine, a melhor audiência desde que os Gato Fedorento se estrearam na RTP em finais de Outubro de 2005 (mas também da sua ainda curta história).

Será então a polémica em que o mesmo formato se viu envolvido desde que transmitiu um sketch de sátira ao professor Marcelo Rebelo de Sousa e à sua posição pelo "não" no referendo sobre o aborto (disponível no YouTube)? É que vários críticos, sobretudo na blogosfera, entre aplausos, defenderam que a rábula seria uma forma de os Gato tomarem o partido do 'sim' no dito referendo. E, para que a imparcialidade fosse conseguida, sugeriam que o quarteto desse eco da posição contrária. Críticas que explicam o aparecimento de um provedor do telespectador, encarnado por RAP (na foto), e não qualquer género de pressão da RTP ou do seu provedor.

As "vozes críticas usam argumentos bizarros" que partem de uma "premissa errada", defende o humorista. "A nossa ideia não era manifestarmo-nos favoráveis ao 'sim'", mas "criticar Marcelo [Rebelo de Sousa] por tomar uma posição no referendo". Uma crítica, aliás, igual às que vieram "dos partidários dos dois lados da campanha", reforça. Isto apesar de "nós os quatro nunca termos feito segredo de que votamos 'sim' no referendo ou das nossas opções clubísticas. Parece-nos honesto", acrescenta. É motivo para perguntar se Herman José tinha razão quando avisou que não iam ter tarefa fácil assim que entrassem em campos difíceis? "Mandei-lhe uma SMS a dizer: 'Estou-lhe a escrever para lhe dar razão'", revela RAP.

"Noutro país isto não se põe", defende, referindo-se aos EUA, por exemplo. "É estúpido essa exigência de imparcialidade", já que no humor "é impossível criticar sem partir de um determinado ponto de vista, que neste caso é o 'não', para satirizar", defende o humorista, lembrando que quando fez a rábula de Alberto João Jardim não se achou que estava a defender o PSD. Mas esta "exigência de imparcialidade" teve o seu primeiro caso com a caricatura de Salazar. "'Esperamos que, para a semana, Cunhal seja satirizado', disseram então as vozes críticas, como se Cunhal fosse o reverso da mesma moeda", recorda RAP.

Realçando que as "audiências nada têm a ver com estas vozes muito minoritárias", a fazer "lembrar os censores da velha guarda, que dizem: 'sim, sim, têm todo o direito, mas... é preciso fazer o contraditório!'", o humorista alerta ainda que "não se podem confundir com os portugueses". Portugueses de onde têm vindo algumas queixas, nomeadamente por causa da canção do Noddy cantada pelo grupo gothic metal Moonspell, da caricatura da Floribella ou da execução de Saddam. Situações que levaram "muitas pessoas a cortar relações com a RTP, mas que nem por isso alteraram a nossa conduta", reforça RAP, reforçando que os "Gatos fazem o que lhes apetece". Afinal, "foi por isso que a RTP nos contratou".


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