por
Céu Neves
São mulheres, às vezes ainda crianças, com uma grande fragilidade económica, social e afectiva. Não têm trabalho ou se o têm é precário, não têm casa ou foram expulsas, não puderam ou não quiseram estudar, não estão legais em Portugal. Em comum, tiveram gravidezes não planeadas, às vezes descobertas em estado avançado, facto que esconderam à família até ao limite. Vivem na Casa de Santa Isabel, em Lisboa, destinada a mães sós.
São nove as mães que habitam a casa, duas das quais vão no segundo filho. É o caso de Maria, o nome fictício que escolheu para contar a sua história, já que a direcção prefere resguardar a identificação das utentes. Também não permite que elas falem a sós com os jornalistas. "É como se fossem minhas filhas", justifica Fernanda Ludovic, a directora.
Maria, 21 anos, vivia no Alentejo e foi mãe pela primeira vez aos 15. Viveu com o pai da filha cinco anos, separaram-se e ficou só com a menina, conseguido sustentar-se com as jornas diárias que ganhava na agricultura.
Arranjou um namorado, quando já tinha deixado de tomar a pílula há alguns meses. "Namorámos sete meses, zangámo-nos e eu engravidei nessa altura", conta. Só soube que estava grávida dois meses depois. "Fiquei desnorteada, sem saber o que fazer. Estava sozinha e no campo nem sempre há trabalho. Tentava arranjar uma solução, mas não conseguia contar nada a ninguém."
Aos cinco meses fechou-se em casa. A irmã, que morava perto, percebeu que algo estava mal e obrigou--a a ir ao médico. Diagnosticaram-lhe uma depressão. Sem ter para onde ir depois de tratada, a assistente social do hospital indicou-lhe um tecto.
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