por
João Pedro Henriques
Nuno Fox (foto)
O PS guarda segredo sobre a regulamentação da interrupção voluntária da gravidez, caso o "sim" ganhe o referendo do próximo dia 11. Ontem, na sede nacional do PS, António Costa deu uma conferência de imprensa lançando a campanha do PS - hoje é o primeiro dia do período oficial - e, interpelado pelos jornalistas, foi categórico: "Não está em causa a regulamentação. A seu tempo será feita", afirmou, sublinhando que, para já, o prioritário é conseguir a despenalização da IVG até às dez semanas de gravidez.
O dirigente socialista foi questionado sobre a admissibilidade pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS) de mulheres que façam sucessivos abortos provocados e ainda sobre eventuais taxas moderadoras que venham a ser aplicadas. "É extemporâneo", reafirmou.
A conferência destinou-se, assim, a garantir a mobilização do PS na batalha pelo "sim", repetindo António Costa apelos à participação na consulta popular. Além do mais, explicou, é a própria figura do referendo que poderá estar em causa: "Seria negativo para o instituto do referendo se a participação fosse abaixo de 50 por cento".
Costa defendeu o "sim" também por uma necessidade de Portugal se juntar ao "consenso internacional" sobre a matéria. Segundo disse, só cinco países têm leis tão ou mais restritivas que Portugal: Irlanda, Polónia, Liechtenstein, Chipre e Malta.
Tendo em conta que o PS lançou agora um novo cartaz sobre a "vergonha nacional" do aborto clandestino, António Costa fez questão de repetir várias vezes essa ideia. Disse que 19 por cento dos óbitos maternos decorrem dos cerca de 18 mil abortos clandestinos anuais.
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