por
João Pedro Henriques
e Carlos Rodrigues Lima
Natacha Cardoso (imagem)
A eurodeputada socialista Ana Gomes tenciona mesmo levar a questão dos voos da CIA ao Ministério Público (MP), caso considere, como ontem disse ao DN, que "nada está a ser feito em Portugal" para averiguar o que se passou.
Esta é a resposta que a eurodeputada dá ao seu camarada de partido José Lello (responsável do partido pelo pelouro das relações internacionais), que na sexta-feira desafiou Ana Gomes a recorrer ao MP, após esta ter relatado testemunhos (feitos sob anonimato) nos Açores dando conta de prisioneiros saindo "agrilhoados" de aviões militares na base das Lajes (ilha Terceira).
"Mas pode sossegar José Lello: nada se perde pela demora", escreveu Ana Gomes logo no sábado, no seu blogue (causa-nossa.blogspot.com). A eurodeputada exige uma "investigação séria" em Portugal, já que estão em causa, em território nacional, "alegações de violações dos direitos humanos, da Constituição Portuguesa e do direito internacional".
O DN interpelou o gabinete do procurador-geral da República sobre a intenção de abrir um inquérito a partir das denúncias da eurodeputada do PS. Fonte oficial adiantou ao DN que não foi aberto qualquer inquérito-crime. Isto apesar de o Código do Processo Penal prever que as denúncias públicas de crimes dão obrigatoriamente origem à abertura de uma investigação.
Ana Gomes regressou ontem a Bruxelas e, segundo disse ao DN, preparava uma carta de resposta à que o ministro português dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, enviou à comissão de inquérito aos voos da CIA, acusando a eurodeputada de ter uma "conduta abusiva" passível de "imediata condenação".
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