por
Cadi Fernandes
"Pressões internacionais" e constrangimentos provocados pela forma como a morte de Saddam Hussein foi registada para a posteridade levaram Bagdad a adiar a execução de Barzan Ibrahim al-Tikriti e Awad al-Bandar, que estava prevista para a madrugada de ontem. Resta saber se por horas, se por dias, pois que garantida estará, na medida em que a lei do país não permite a comutação de sentenças. Isso mesmo foi reiterado, à BBC, por um responsável iraquiano, Samir al-Askari.
Os EUA, cujo Presidente, George W. Bush, se prepara, segundo os media, para anunciar um reforço do contingente americano no Iraque - mais nove mil a 40 mil homens - já pediram a Bagdad que, desta vez, proceda de "maneira conveniente". Isto é, sem insultos, danças, palavras de ordem e com mais fiscalização para que, ao contrário do que sucedeu com Saddam, não entrem telemóveis no recinto onde os dois antigos responsáveis (um dirigiu os serviços secretos; outro, o Tribunal Revolucionário) serão enforcados.
Não que, verdade seja dita, Bagdad veja nisso algo de particularmente grave, como admitiu à CNN o conselheiro de Segurança Nacional e um dos xiitas com maior ascendente político no Iraque, Mowafaq al-Rubaie. "Onde é que está a humilhação? Nos gritos da multidão?", questionou, remetendo para a tradição iraquiana qualquer coisa que, aos olhos ocidentais, pareça mais indecorosa. "Isto é a tradição dos iraquianos. Dançam à volta do corpo e expressam os seus sentimentos."
Nota curiosa: George W. Bush, que informou estar a dormir no seu rancho no Texas no momento da execução de Saddam, ainda "não" viu o vídeo pirata que tanta polémica suscitou. E "não", também não tenciona vê-lo, assegurou, ontem, um porta-voz da Casa Branca.
Do lado de Bagdad, uma determinação inabalável. "Nenhumas pressões podem impedir as execuções", adiantou Al-Askari à BBC.
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