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Bomba da ETA em Barajas interrompe processo de paz

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Luís Naves  

O primeiro-ministro espanhol, José Luis Zapatero, anunciou que estão interrompidas as negociações com o grupo terrorista ETA, na sequência do violento atentado, ontem de manhã, no aeroporto de Madrid. "Ordenei a suspensão de todas as iniciativas para desenvolver o diálogo", explicou Zapatero, numa dramática conferência de imprensa em que condenou o inesperado ataque. "Foi o passo mais errado e inútil que podiam ter dado os terroristas", lamentou o chefe do Governo.

O atentado de Barajas representou a brutal interrupção do cessar- fogo permanente anunciado pela ETA a 22 de Março. A explosão da furgoneta-bomba ocorreu às nove da manhã, hora local, no parque de estacionamento do terminal 4, o mais recente e moderno do aeroporto que serve Madrid.

Uma hora antes, houve três telefonemas para as autoridades, o que permitiu evacuar o local. Quando se deu a deflagração, de grande potência, a zona estava isolada por um cordão da polícia. Mesmo assim, houve 19 feridos (incluindo dois agentes e um taxista), além de dois desaparecidos. Temia-se que os dois equatorianos estivessem presos entre os escombros. Ambos tinham ficado nos carros, a dormitar, enquanto esperavam familiares.

Os estragos no parque de estacionamento foram extensos. O novo terminal foi encerrado ao tráfego, provocando cancelamentos e atrasos de voos. Os serviços de emergência trataram 21 pessoas com dores de cabeça e de tímpanos. O empresário do jogador brasileiro Emerson, do Real Madrid, foi uma das testemunhas do drama.

O ministro do Interior, Alfredo Pérez Rubalcaba, foi o primeiro a reagir, sublinhando que as forças de segurança não tinham baixado a guarda, "nem um milímetro". Este responsável já adiantava o que Zapatero acabaria por dizer algumas horas depois, nomeadamente que o atentado interrompia "o cessar-fogo permanente da ETA". Destas declarações ficou claro que as autoridades espanholas não esperavam o atentado. Embora identificando a autoria da ETA, "sem qualquer dúvida", Rubalcaba sublinhou que o comportamento dos terroristas não tinha sido o habitual, pois o grupo sempre anunciou a ruptura das tréguas.


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