por
Cadi Fernandes
Saddam Hussein, que presidiu ao Iraque entre 1979 e 2003, foi enforcado, ontem de madrugada, em Bagdad. Dispensou o capuz e, segundo testemunhas, as suas últimas palavras foram: "Espero que fiquem unidos." Para acrescentar: "Não confiem na coligação iraniana. Estas pessoas são perigosas." Uma referência à coligação no poder, liderada pelo xiita Nuri al-Maliki.
Talvez temendo o efeito catártico destas palavras junto da minoria sunita, o primeiro-ministro apressou--se a apelar: "Em nome do povo iraquiano, peço a todos os que foram enganados pelo antigo regime para reverem a sua posição. Para eles, a porta está sempre aberta, se as suas mãos não estiverem manchadas com o sangue de inocentes."
E, assim, com esta execução que "não teve motivações políticas", se terá dado "uma lição a todos os déspotas que perpetram crimes contra o seu próprio povo", disse Maliki.
Os advogados de Saddam Hussein, classificando o antigo presidente de "mártir" (como o próprio, aliás, já fizera), declaram precisamente o contrário, ou seja, que este foi um "assassínio político".
Nas ruas, manifestações de júbilo e de consternação dividiram, mais uma vez, os muçulmanos, entre os que aplaudiam o fim de um "tirano" e os que acusavam a América de, em última instância, ter apertado a corda que matou Saddam.
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