por
Pedro Junceiro
O ano de 2006 ficará marcado para sempre na vida de Cannavaro e na história da FIFA, que nunca havia distinguido um defesa como melhor jogador do mundo. Fabio Cannavaro, de 33 anos, foi o primeiro a alcançar esse feito, no mesmo ano em que a selecção italiana venceu o Mundial da Alemanha.
O anúncio do italiano como vencedor da Bola de Ouro e Melhor Jogador de 2006 repercute não só o triunfo da Squadra Azzurra no Mundial mas, mais que isso, a vitória do típico futebol de defesa italiano (conhecido como catennacio) sobre o futebol de cariz ofensivo neste último Mundial.
Apelidado por muitos como "o muro", Cannavaro define-se como um defesa puro e com grande sentido de antecipação e colocação. É sobretudo a sua sobriedade a defender que o distingue dos demais defesas, tendo desempenhado um papel fundamental no quarto título da selecção italiana na Alemanha, liderando uma defesa que apenas encaixou dois golos em toda a competição. Impressionante é o facto de não ter visto nenhum cartão amarelo, revelador da atitude controlada e jogo limpo, à imagem dos grandes defesas italianos do passado.
Cannavaro surge como o expoente máximo do sistema de jogo transalpino do catennacio (que, em italiano, significa corrente, por unir todas as peças que compõem o sistema, impedindo que seja trespassado), que já contou com executores como Giacinto Facchetti, Cesare e Paolo Maldini (pai e filho), Gaetano Scirea, Franco Baresi e Giuseppe Bergomi, todos eles grandes defesas que construíram, ao longo dos anos, a reputação de um futebol italiano de defesa sólida e quase intransponível.
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