É uma votação que se repete nas reuniões do grupo parlamentar do CDS/PP: onze a um. E não é coincidência, é mesmo a aritmética política da bancada centrista. O resultado pode ler-se assim: onze votos dos partidários de Paulo Portas, que tomam assento na bancada de deputados, um do único parlamentar democrata-cristão que está ao lado do presidente do partido, José Ribeiro e Castro.
José Paulo Carvalho é um caso singular na Assembleia da República. Como o seu próprio grupo parlamentar, protagonista de um caso sério de divisão interna com a direcção do partido. O deputado, também membro da direcção do CDS, garante que não se sente isolado no Parlamento, nem condicionado no trabalho. Mas reconhece algumas especificidades na sua situação. Afinal, não é tão comum quanto isso que um deputado fale em dar o "peito às balas" antes de entrar para uma reunião do respectivo grupo parlamentar.
Número três pelo distrito do Porto nas últimas eleições legislativas, José Paulo Carvalho até teve uma passagem pacífica pela Assembleia da República quando, no ano passado, substituiu António Pires de Lima no cargo. No dia em que entrou "pela primeira vez no plenário", fez o debate sobre o aborto. Dois meses depois saiu e os ânimos no CDS aqueceram entretanto - José Paulo Carvalho chamou "guerrilheiros" aos deputados do CDS e disse que a bancada prejudicava o trabalho do presidente. Voltou ao grupo parlamentar em Setembro. Quase não se ouve no plenário e, quando fala, é em sessões menores.
"Aceito isso como normal. A direcção do grupo parlamentar tem o direito e o poder de fazer a distribuição dos trabalhos da forma como entender melhor", diz o deputado centrista. Não sem acrescentar que as circunstâncias deste regresso ao Parlamento "são totalmente diferentes".
Se a imagem da bancada do CDS no hemiciclo mostra muitas vezes o dirigente centrista isolado dos seus pares, José Paulo Carvalho rejeita qualquer isolamento. E diz que, se a actual situação "faz com que haja abordagens diferentes sobre aquela que é a estratégia política do partido", nem por isso as relações pessoais se ressentem - "Tenho boas relações com quase todos os deputados."
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