por
Céu Neves
Seis portugueses - dois casais e duas crianças - estão de férias no Panamá desde o dia 14 de Dezembro e não sabem quando poderão regressar. Têm viagem marcada para amanhã, às 20.00, pela Air Madrid, companhia que, entretanto, perdeu a licença da actividade. O Governo espanhol diz-lhes para contactarem a empresa, esta não responde aos mails e o Consulado português descarta responsabilidades.
"Estamos desesperados, ninguém nos diz nada. Disseram-nos que íamos para uma lista de espera", diz Sofia Marques, uma das passageiras, que tem de ir trabalhar dia 3.
A viagem de sonho transformou- -se num pesadelo quando um irmão de Sofia lhe disse que a Air Madrid já não trabalhava. Alojados num hotel no arquipélago de Bocas del Toro, contactaram a Embaixada espanhola, que lhes arranjou um voo para 22 de Dezembro, com partida da cidade do Panamá. Souberam um dia antes, não conseguiram arranjar transporte aéreo e a viagem por terra demora 14 horas. Foi impossível.
A partir daí, a Embaixada e o Ministério do Fomento espanhóis dizem-lhes para contactarem a Air Madrid, mas ninguém atende o telefone ou responde aos mails. Compraram as viagens pela Internet e não têm a assistência de uma agência de viagens. E o Consulado português na Colômbia, o mais perto do Panamá, remeteu-os para as autoridades espanholas. "O Estado português não pode intervir, apenas podemos dar apoio consular", respondeu ao DN o assessor da Secretaria de Estado das Comunidades. "Mas não apoiam. Nem um telefonema", diz Sofia Marques.
O grupo viaja hoje para a capital do Panamá, onde têm alojamento e refeições pagas só por um dia. Além disso, uma das mulheres apanhou uma infecção na pele e não lhe conseguem diagnosticar o que tem. Para culminar, receberam ontem a notícia do lançamento de uma bomba no estacionamento do Aeroporto de Barajas, em Madrid, onde têm o carro. Em princípio, não foi atingido.
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