por
Elsa Costa e Silva, Joana de Belém e Paulo Julião
A autópsia realizada ontem à criança de dois anos que morreu, num quadro suspeito de maus tratos, detectou a presença de "lesões traumáticas muito significativas". Danos a diversos níveis, nomeadamente no crânio, tórax e abdómen.
O exame post mortem, ao qual ainda se vão seguir exames complemen- tares e análises dos peritos, não está assim concluído, mas detectou ainda lesões antigas. A mãe da criança foi ontem ouvida no Tribunal de Monção, aonde regressa hoje, e os restantes três irmãos foram entregues a uma família de acolhimento.
As lesões detectadas pela autópsia estão, de acordo com fonte do Instituto de Medicina Legal (IML), "inequivocamente" na origem da morte da criança. Seguem-se agora duas fases, a realização de exames complementares e o confronto a realizar pelos peritos. Ou seja, estes vão ao terreno averiguar se o quadro de lesões encontrado pelo patologista do IML de Viana do Castelo está de acordo com o relato efectuado pelos pais. Isto significa ainda avaliar as escadas, nas quais a mãe diz que a menina caiu na passada terça-feira, e perceber se uma queda acidental poderia ter causado aquelas lesões.
Recorde-se que os pais negam a situação de maus tratos à pequena Sara e garantem que as lesões se devem apenas a uma queda nas escadas. A mãe afirma ainda que a menina ficou, aparentemente, bem após a queda, tendo inclusivamente comido. A Sara foi transportada pela mãe, no dia seguinte, quarta-feira, para o Centro de Saúde de Monção, onde entrou já sem vida, num quadro de paragem cardiorrespiratória.
A mãe da Sara foi ontem ouvida pela Polícia Judiciária (PJ), na creche da Santa Casa frequentada pelos filhos, desde as 11.00 até às 15.30. Foi depois transportada ao Tribunal de Monção, onde começou a ser ouvida pela procuradora do Ministério Público. Não foi interrogada por um juiz, o que só deverá acontecer hoje.
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