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Colecção Berardo vale 316 milhões

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Maria João Pinto  

A colecção que constituirá a base do Museu Berardo no Centro Cultural de Belém (CCB) foi avaliada pela leiloeira Christie's em 316 milhões de euros. O anúncio foi feito ontem pela ministra da Cultura, na apresentação de Sinais da Escultura Portuguesa, mostra resultante do concurso de arte pública promovido pela Fundação de Arte Moderna e Contemporânea - Colecção Berardo, que simultaneamente opera como rampa de lançamento do futuro museu.

José Berardo terá agora 30 dias para decidir se aceita ou não o valor desta avaliação externa. Uma decisão que, referiu o empresário aos jornalistas, "será a mais difícil da [sua] vida", dado que, disse, "nunca vendi um quadro" ao longo destes anos. Mas uma decisão que terá que tomar, possivelmente já no Natal, "passado na Madeira, com os filhos".

O montante estabelecido pela Christie's - "equivalente à construção de três Casas da Música ou de dois CCB", referiu a ministra - manter-se-á constante durante a vigência do acordo de comodato, circunstância que, considerou Isabel Pires de Lima, "favorece o Estado", cuja opção de compra em 2016 se fará com base "numa verba estabilizada em 2006". Ao abrigo do convénio assinado pelas partes, José Berardo "fará uma doação de dez por cento ao Fundo de Compras" do futuro museu, fundo esse comparticipado pelo Estado em 500 mil euros.

Classificando esta como "uma colecção rara e de elevado valor à escala mundial", Isabel Pires de Lima afirmou ainda que a "criação de condições para a sua fixação em Portugal constituía um imperativo nacional e um dever patriótico". Reafirmou, todavia, que, apesar de, "neste momento, o Estado não ser comprador [da colecção]", "essa possibilidade se mantém em aberto", pelo que, acrescentou, "tentaremos encontrar meios para a manter em Portugal".

Dizendo-se "extremamente feliz" por "ter feito uma colecção capaz de dar aos Portugueses uma referência do que foi a arte do século XX", José Berardo recordou que a sua "ideia foi sempre que ela ficasse no CCB". Relativamente ao núcleo exposto em Sintra, disse esperar que o mesmo "seja um estímulo para que outros façam também as suas colecções". O núcleo de Art Déco que igualmente integra a sua colecção, esse, continua a ser objecto de "negociações com a Câmara de Lisboa", com vista à sua eventual instalação na cidade.


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