por
Cátia Almeida
A Sumolis está a negociar com a Caixa Geral de Depósitos (CGD) a compra dos 80% que o banco detém na Compal, passando assim a controlar a totalidade da empresa, anunciou a Sumolis, num comunicado enviado ontem à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
O grupo, detido pela Refrigor, informou ainda que tem mantido conversações com instituições financeiras com o objectivo de assegurar o financiamento para a aquela aquisição e para a renegociação da dívida da Compal.
No sábado, o jornal Sol noticiou que a instituição financeira em causa é o Santander e que o negócio deverá estar concluído até ao final do ano. O DN tentou ouvir ontem a Sumolis, assim como a CGD, sobre este assunto, mas não foi possível estabelecer um contacto. A Compal escusou-se a fazer qualquer comentário.
A concretizar-se, a operação agora em curso irá pôr fim a uma relação, nem sempre pacífica, entre os dois accionistas. A fusão entre a Compal e a Sumolis, prevista no acordo de entendimento, nunca chegou a verificar-se, uma questão que levantou problemas desde o início. Em Julho de 2006, João Cotrim de Figueiredo demitiu-se da presidência da Compal, justificando a decisão com a "impossibilidade de garantir junto dos actuais accionistas as condições essenciais ao êxito do projecto da Compal". Na altura, o DN apurou que as "condições" que Cotrim de Figueiredo "exigiu" foram a liberdade de gestão da Compal em relação à Sumolis e a aprovação de um plano estratégico de desenvolvimento da Compal, onde estavam incluídas as áreas de expansão, inovação e lançamento de produtos.
A Sumolis e a CGD concorreram em parceria à compra da Compal e da Nutricafés em 2005, passando à frente da 3i, sociedade de capital de risco britânica que apoiava um management buy out (MBO) liderado pelo então presidente executivo, António Pires de Lima, as sociedades de private equity Bridge Point e Explorer, a Centralcer, a Refrige e a Unicer. O negócio foi concretizado por 426 milhões de euros. Este ano, a Nutricafés foi vendida ao fundo de investimento Explorer Investments/MCH por cerca de 70 milhões de euros. Desta forma, a participação agora detida pela CGD vale aproximadamente 285 milhões de euros.
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