por
Leonor Matias
Cerca de quinze mil trabalhadores representativos de várias regiões da Europa onde a Volkswagen (VW) possui fábricas juntaram-se ontem, em Bruxelas, em protesto contra o despedimento de quatro mil trabalhadores da unidade de Forest, localizada nos arredores da capital belga. António Chora, da Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa, disse ao DN que a manifestação foi convocada pelo comité de trabalhadores da VW, que, depois de amanhã, vai reunir-se em Wolfsburg com a direcção da VW, para analisar a situação das fábricas do grupo, nomeadamente os casos de Bruxelas e Pamplona, consideradas as situações mais preocupantes.
Para já, o ambiente que se vive na Autoeuropa é "calmo", mas os trabalhadores estão apreensivos com o adiamento do anúncio do sucessor do Sharan, o que "só deverá ocorrer em Março", e sobre o nome que irá suceder a Emílio Sáenz, que troca a direcção da fábrica de Palmela pela VW de Pamplona. Tudo indica, refere António Chora, que o sucessor de Sáenz "seja alemão, ligado à área da produção e crê-se que venha da VW da Polónia".
Na próxima quinta-feira, os representantes dos trabalhadores da VW esperam que a direcção do grupo responda a uma série de questões relacionadas com a reestruturação que pretende levar a efeito e quais as consequências ao nível do emprego. Tanto mais, refere António Chora, que a fábrica de Bruxelas é a primeira vítima do acordo assinado em Setembro entre a VW e os sindicatos alemães, onde ficou acordado que os trabalhadores germânicos passariam a laborar 34 horas por semana, em vez das anteriores 28 e sem aumento salarial. Em troca, a VW comprometeu-se a colocar produtos nas fábricas alemãs. A unidade de Bruxelas fabricava o que as unidades alemãs não tinham capacidade para produzir, devido ao horário laboral, mas, ao alargar o horário, as fábricas passam a ter necessidade de absorver mais produtos. Como a unidade belga não dispõe de prensas e se encontra muito próxima do perímetro urbano, é a primeira a sofrer os efeitos do acordo com os sindicatos e a assistir à deslocalização de parte da produção do Golf para as fábricas de Wolfsburg e Mosel. A VW anunciou a intenção de colocar a produção do Audi A1 em Bruxelas, a partir de 2009.
A situação na fábrica de Pamplona é igualmente preocupante. Há três anos que trabalhadores e VW vivem um braço--de-ferro e que não é assinado qualquer acordo laboral. Avizinha-se um início de 2007 muito complicado para Emílio Sáenz, que foi chamado para pôr cobro ao conflito. Com palavras de ordem que pedem "solidariedade com o emprego", participaram no protesto delegações sindicais da Alemanha, França, Itália e Espanha. Chechu Rodríguez, de Pamplona, em declarações ao CincoDías, apelou à construtora automóvel que "reparta equitativamente a produção pelas fábricas do grupo".
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