por
João Fonseca
Despenalizar é aceitar o crime", diz um cartaz amarelo empunhado por uma rapariga. "Não à interrupção voluntária da vida", lê-se noutra folha de cartolina, esta azul e exibida por um rapaz. Uma e outro, ambos em frente do Presidente da República e do bispo de Coimbra, que abençoa a ponte pedonal, sobre o Mondego, acabada de inaugurar, ontem ao final da tarde, com a presença de muita gente.
D. Albino Cleto, bispo da diocese onde, em Maio, foi criado o movimento Serviço pela Vida - e que, em Outubro, ganhou projecção mediática, sobretudo pela distribuição em igrejas da cidade de um folheto contra a interrupção voluntária da gravidez, com a fotografia de uma criança, sem autorização da mãe -, fala da nova ponte, enquanto meio de ligação de margens e também da necessidade de outras aproximações e uniões, noutros planos. Mas só o consegue ouvir quem está próximo - quem não tem espaço junto ao centro da cerimónia comenta as mensagens dos dois jovens e, sobretudo, a sua oportunidade.
Cavaco Silva não comenta o episódio, já antes havia dito que apenas falava, mais tarde, na sessão no Pavilhão de Portugal. Elogia a ponte e duas outras obras, então inauguradas. O ministro do Ambiente e o presidente da câmara, os dois outros oradores, também optam por ignorar a "manifestação", mas na assistência não falta quem a aplauda, quem a critique, quem lamente o aproveitamento da presença do Presidente e da festa para outras campanhas.
O assunto do dia, em Coimbra, continua, porém, a ser o Programa Polis e a conclusão de três dos seus importantes empreendimentos: Centro de Interpretação Ambiental, no Parque Manuel Braga, e a Entrada Poente do Parque Verde do Mondego, além da ponte pedonal Pedro e Inês. E o Chefe do Estado aproveita para falar da importância da cidade, do muito que se tem feito no nossos centros urbanos e também do muito que ainda falta fazer. É necessária, alerta, "uma nova atitude em matéria de energia nas cidades". É preciso baixar as emissões de gases com efeito de estufa, cumprir as metas europeias para as energias renováveis e "reduzir a dependência energética do exterior, em especial do petróleo".
Temos de "tirar mais partido dos nossos recursos naturais e de apostar numa maior produção de energia, a partir de fontes renováveis", apela o PR. Mas, adverte, é também preciso "melhorar a eficiência no consumo de energia", nos edifícios, na indústria e nos transportes e "Portugal tem muito a fazer neste domínio". As "questões ambientais e energéticas são de tal forma importantes" que, revela, "a próxima jornada do Roteiro para a Ciência será dedicada às tecnologias limpas".
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