"O neoconservadorismo foi enterrado pela Administração Bush?" A esta pergunta Luís Delgado dispara: "Não, porque os neoconservadores não são propriamente um grupo de mão, ou de diversão, de Bush". E esclarece que esta corrente política está acima de um poder específico, ou tempo determinado. "Era a mesma coisa que afirmar que o socialismo acabaria com a saída de Sócrates..."
José Manuel Fernandes, que teorizou sobre os neoconservadores, no volume Annualia 2006/07 da Enciclopédia Verbo, entende que "se os comentadores e os políticos não necessitassem de permanentes 'etiquetas' para colar a este ou àquele e, sobretudo, se conhecessem melhor a história recente dos Estados Unidos, saberiam que o neoconservadorismo tem décadas de presença no debate público e político dos EUA".
Um debate que, afirma, começou por questionar políticas domésticas e só mais tarde ganhou notoriedade ao propor uma política externa. Que associava elementos tradicionais de esquerda, pelo que era idealista, e defendia a necessidade de promover a democracia como forma de promover o progresso e o bem-estar geral; e elementos habitualmente associados à direita, pelo que considerava legítimo utilizar a força de forma preventiva e para promover a agenda idealista.
"Mais: saberiam que nem Rusmsfeld nem Cheney são ou alguma vez foram neoconservadores". Por estes motivos, sustenta, "o anúncio do seu enterro é, no mínimo, prematuro".
O director do Público pensa, aliás, que a política externa americana vai mudar muito menos do que a maioria dos europeus julga. "Basta pensar nas políticas defendidas por Hillary Clinton, muitas delas claramente inspiradas na agenda neoconservadora do que em tempo se designou por New Democrats, o grupo de onde saiu o seu marido para a Presidência e que representou para os democratas o mesmo que o New Labour de Tony Blair representou para o velho trabalhismo inglês."
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