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sociedade

Papa não abre a porta ao uso do preservativo

por

Manuela Paixão

e Vitorino Coragem*

Natacha Cardoso (foto)  

Ainda não foi desta que o Vaticano mudou a sua política em relação ao preservativo. Ao fim de dois dias de uma conferência no Vaticano sobre "Aspectos pastorais do cuidado das doenças infecciosas", que fora antecipada como o ponto de viragem nesta matéria, Bento XVI limitou-se a apelar ao fim da "segregação dos infectados" e dos "preconceitos", criticando uma sociedade obcecada com a beleza e a vitalidade biológica. Algumas das suas palavras, contudo, podem ser lidas como uma sugestão de abertura: "Diante do flagelo das doenças infecciosas, o empenho humano não deve nunca desistir de procurar meios e formas de intervenção eficazes de combater estes males."

Se nas "formas de intervenção eficazes" o papa está ou não a incluir o uso do preservativo, considerado por todas as organizações especializadas na luta contra a epidemia como fulcral para o seu controlo, é cedo para saber. Certo é que Bento XVI solicitou, após a sua eleição no ano passado, um estudo teológico sobre o uso do preservativo. O resultado, um relatório de 200 páginas não tornado público que reflecte várias opiniões no seio da Igreja Católica, foi compilado pelo cardeal mexicano Javier Lozano Barragán, que dirige o departamento dos assuntos de saúde do Vaticano e que é considerado favorável a uma reforma neste aspecto. O relatório deverá agora ser estudado pela Congregação da Doutrina da Fé, que deverá redigir um novo documento e submetê-lo ao papa.

Há quem afirme que no relatório Barragán defende que o uso do preservativo seja admitido em casamentos em que um dos parceiros está infectado com HIV. O diário La Repubblica asseverou esta semana que o Vaticano iria evoluir nesse sentido, para uma "definição de casos excepcionais nos quais seria possível aos fiéis usar protecção para evitar riscos fatais". A este propósito, o cardeal mexicano teria citadoJoão Paulo II - "cada acto conjugal deve estar aberto à vida"-, dando a entender que esta frase, habitualmente vista como uma proibição dos métodos contraceptivos, poderia também ser usada como defesa da preservação da vida dos cônjuges no acto sexual.

Preservativo é tabu

São muitos, sobretudo os católicos leigos, que esperam um sinal de flexibilidade em relação a esta matéria por parte da hierarquia católica. Mas nos meios eclesiásticos comenta-se que o relatório pedido por Bento XVI e a conferência poderão não dar lugar a nenhuma novidade ou mudança, como aconteceu com a cimeira a propósito do celibato sacerdotal, dos Presidentes dos Discatérios da Cúria com o Papa.


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