por
Miguel Pina e Cunha
Director de MBA da Universidade Nova de Lisboa
1. Um dos textos mais estimulantes da literatura de gestão dos últimos anos chama-se Towards a Good Theory of Management. Os seus autores são Sumantra Ghoshal e Peter Moran. Moran é professor na London Business School. Ghoshal foi também professor na mesma escola, até falecer em 2004. Era uma das vozes mais respeitadas e mais críticas da gestão, nomeadamente daquilo a que chamava más teorias. As más teorias estariam, defendeu com vigor, a destruir as boas práticas de gestão. As más teorias de gestão são aquelas que criam uma visão redutora da empresa na sociedade. Que transformaram Gordon Gekko, o vilão do filme Wall Street, no paradigma do gestor, tal como representado pelo grande público. Que fazem das tiras de Dilbert o caso mais sério de sucesso editorial. Que defendem o estilo que Ghoshal e Moran designam, sem piedade, de asshole management. Este estilo consiste em procurar a todo o custo níveis mais elevados de eficiência, de rapidez, de competitividade. Resulta em "ciclos infernais" e em sistemas organizacionais profundamente coercivos. A maior parte de nós, continuam os autores, é vítima e perpetrador deste estilo de gestão. É este estilo que ajuda por sua vez a responder à pergunta que levou os autores à escrita do texto: por que razão suscitam as empresas reacções tão intensas de amor e ódio? As empresas melhoram a qualidade de vida material nas nossas sociedades, proporcionando bens que tornam a vida dos seus consumidores mais confortável. Mas, por outro lado, obrigam muitas vezes os produtores desses bens a entrar nos referidos ciclos infernais, que lhes darão acesso ao paraíso do consumo. O que fazer para romper os ciclos infernais? Mudar o estilo de construção de empresas nas nossas sociedades e criar organizações que se afastem da brutalidade do asshole management. Será possível, desta forma, criar empresas que actuem, genuinamente, como forças de mudança social positiva.
2. Na mesma linha de pensamento, na sessão de apresentação em Lisboa do seu livro Gestão por Valores, Simon Dolan, professor da ESADE [Escola Superior de Administração e Direcção de Empresas], referia que as organizações matam (involuntária mas literalmente) as pessoas com níveis elevados de stress. E referia que muitos gestores, quando questionados sobre os seus objectivos profissionais, lhe respondiam: "Ganhar o máximo de dinheiro possível." Esta é a resposta que resulta nos ciclos infernais já referidos. A alternativa de Dolan é a gestão por valores: a criação de um sistema de gestão que não reduza os objectivos da empresa à acumulação de dinheiro. A empresa deve libertar o papel criativo dos seus membros num contexto de valores claros e positivos, que façam de cada trabalhador um entusiasta da organização e da sua missão na sociedade. As teorias da gestão, defenderam Ghoshal e Moran, devem ser certas e boas. Os valores positivos podem ajudar a criar a plataforma sobre a qual se criam organizações de cidadãos, mais do que organizações opressivas.
3. Caso o argumento pareça excessivamente "académico", isto é, irrealista ou bem-intencionado mas impraticável, considere-se o caso das organizações capazes de juntar o melhor de dois mundos, isto é, um profundo sentido interno de comunidade de trabalho com uma forte orientação para a concretização dos objectivos da empresa e para a realização da sua missão na sociedade. Trabalho empírico recente mostra que esta conjugação é possível. Algumas dessas organizações constam da lista das melhores empresas para se trabalhar e podem servir de benchmark para a concretização do papel da empresa como força do bem.
Para desenvolver o tema:
Dolan, S. (2006). Gestão por Valores. Porto: Bio Rumo.
UE impõe condições para Grécia obter resgate
1500 polícias desistem da farda em três anos
Cinco agências de publicidade na corrida à Galp
Ritmo de reformas na CGA está a abrandar
2011 foi o segundo melhor ano para sapatos portugueses
"Somos portugueses, mas não somos baratinhos"
Alemanha pronta para flexibilizar plano português
Meo permite ao cliente criar o seu canal de TV
Zebras têm riscas pretas e brancas para afastar as moscas
Feira do sexo quer ser "mais didática"
Carnaval é "batalha perdida para o Governo", diz Marcelo
Dados europeus desmentem subida de abortos em Portugal
Santana para Rosas: "Salazar é a sua tia!"
80 mil abortos 'por opção' desde 2007, 13 mil reincidentes
Gestores da TAP, RTP e CGD escapam a tetos salariais
Schulz justifica-se em português no Twitter
Ahmadinejad convida Bento XVI a visitar o Irão
Se Passos não vem à AR "alguma coisa quer esconder"
Ajustamento do plano de ajuda financeira a Portugal é inevitável?
Feira do Livro
Guia Indispensável do Emprego
O número de leitores do DN aumentou 27%
Todas as Iniciativas DN