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Líderes APEC querem relançar ronda de Doha

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Abel Coelho de Morais  

Numa declaração emitida no final do primeiro dia de trabalhos do fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC, na sigla em inglês), os 21 dirigentes dos Estados membros comprometeram-se a "ultrapassar o corrente impasse" nas negociações para a liberalização do comércio mundial no âmbito da ronda de Doha.

"O sucesso da ronda de Doha vai contribuir para o crescimento económico global e para a diminuição da pobreza. O que deve ser obtido através da criação de novos fluxos comerciais e dando a necessária atenção à componente do desenvolvimento", lê-se na declaração ontem aprovada na cimeira anual do fórum que hoje termina na capital do Vietname, Hanói.

As negociações da ronda de Doha, a decorrer no âmbito da Organização Mundial de Comércio (OMC), chegaram a um impasse em Julho devido a divergências entre alguns membros do APEC - entre os quais os Estados Unidos, Japão e Austrália -, a União Europeia (UE) e países de economias emergentes, como o Brasil e a Índia, sobre barreiras alfandegárias e subsídios à agricultura. O bloco APEC representa mais de 60% da produção económica mundial e cerca de metade do comércio a nível mundial, indicava ontem a AFP. O APEC integra as duas principais economias mundiais (EUA e Japão) e a China, que vêm mantendo há mais de uma década taxas de crescimento na ordem dos 8 a 9%.

Todavia, salientaram desde logo alguns analistas, não fica claro da declaração de Hanói como será possível superar o impasse em torno dos tópicos abrangidos na ronda de Doha, na medida em que alguns dos actuais obstáculos resultam de pressões internas de importantes grupos de pressão em blocos como a UE ou em países como os EUA. Este será o primeiro nível de resistências a vencer antes de poderem prosseguir as negociações com resultados práticos. Mas, o director-geral da OMC, Pascal Lamy, que esteve em Hanói no âmbito das reuniões preparatórias da cimeira, declarara logo na quinta-feira que iriam ser retomadas as reuniões informais, a nível de representantes nacionais na OMC, para a redução das barreiras alfandegárias nas áreas em discussão na ronda de Doha.

A fraseologia do documento ontem divulgado, se, por um lado, vai ao encontro das preocupações de uma série de sectores que se sentem penalizados com o adiamento da redução dos entraves à livre circulação de bens, e também de serviços, não ultrapassa o nível declarativo, como se pode comprovar na seguinte passagem: "É necessário reduzir os subsídios agrícolas que distorcem o comércio, (...), proceder a reais reduções nas taxas industriais e criar novas oportunidades no mercado de serviços, ao mesmo tempo que não se pode deixar de ter em consideração as preocupações dos membros" da OMC.


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