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Van Krieken fez acusações mas não apresentou provas

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Carlos Rodrigues Lima  

Ao fim de dois dias de depoimento, e de acusações ao Ministério Público (MP) e à Polícia Judiciária (PJ) de manipulação e ocultação de provas, o jornalista Jorge Van Krieken (um dos envolvidos no caso do Envelope 9) admitiu, ontem, não ter documentos que não constam do processo e que poderiam demonstrar a inocência dos arguidos, mas sim "informações". Esta revelação surgiu quase no final de uma agitada sessão do julgamento da Casa Pia, em que houve uma reunião entre o tribunal e os advogados, momentos de altercação e uma nova lista com mais de cem nomes que estarão ligados à pedofilia.

Foi já ao final da tarde que, após insistência de José António Barreiros, advogado das alegadas vítimas, Jorge Van Kriken acabou por dizer que apenas conhece o processo da Casa Pia "provavelmente até ao volume 70" e que não falou com jovens que apenas acusam Carlos Silvino. Retomando as acusações do jornalista sobre ocultação de provas e manipulações, Barreiros insistiu na junção ao processo das provas que sustentam a acusação do jornalista, até porque poderia estar em causa a inocência dos arguidos.

Os restantes advogados subscreveram o "apelo". A juíza Ana Peres solicitou a Jorge Van Krieken documentos que não estivessem no processo, mas o jornalista afirmou que não tinha. Possuía apenas "informações". Um pouco irritada, Ana Peres perguntou a Van Krieken se tinha algum "interesse directo no processo". A resposta foi negativa. Ainda assim, a juíza deu um prazo de cinco dias para que o jornalista entregue ao tribunal documentos que detém.

Já durante a inquirição feita por José Maria Martins, advogado de Carlos Silvino (Bibi), Jorge Van Krieken, que edita o site reporterx.net, revelou que, após a detenção de Carlos Cruz, Ferreira Diniz e Hugo Marçal (31 de Janeiro de 2003) teve uma "reunião" com os então directores da PJ, Paulo Rebelo e Artur Pereira. Segundo o testemunho prestado em tribunal, estes ter-lhe-ão dito: "A informação que recebi é que não tinham nada a ver com isso, não queriam saber e quase detestavam quem soubesse."

Mais à frente, no depoimento, contou que teve uma conversa, "duas a três horas", com a procuradora Fernanda Pêgo, do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa, na qual esta lhe terá falado sobre a principal testemunha do processo. Porém, a juíza Ana Peres, que preside ao tribunal, não permitiu que a testemunha desenvolvesse, uma vez que poderia estar a mencionar factos sob segredo de justiça.


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