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Concerto à beira-Tejo lançado em CD e DVD

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Nuno Galopim  

Poucos meses eram passados sobre a edição do magnífico Transparente quando, frente à Torre de Belém, numa noite de Setembro de 2005, Mariza concretizou o sonho que o disco inicialmente lhe sugeriu: o de cantar, ao vivo, com orquestra dirigida por Jaques Morelenbaum. O som discreto e envolvente desse seu terceiro álbum acordou para um dia que se anunciava de chuva e acabou feito serão de comunhão para uma plateia de largos milhares. Em palco, Mariza, os seus músicos habituais, a Sinfonietta de Lisboa e, claro, o maestro e violoncelista brasileiro, que o mundo conhece de trabalhos assinados junto a nomes como Tom Jobim ou Caetano Veloso. Uma noite que a partir de amanhã poderá ser partilhada em disco e DVD por quem lá esteve ou nem por isso.

"Eu estava nervosa nesse dia", recorda Mariza. "Fico sempre nervosa, mas o Jaques, que nunca fica, também estava... Nem sei porquê, mas de cinco em cinco minutos batia à porta do meu camarim. Ou para perguntar se queria uma água, saber como entrávamos... Havia uma única oportunidade para registar este disco e ele é muito exigente, muito perfeccionista. Em concertos acontece sempre qualquer coisa inesperada. Quando entrei em palco e vi muito mais gente do que esperava, ainda fiquei mais nervosa, mas depois fui acalmando."

Concerto em Lisboa representa o segundo registo ao vivo de Mariza, sucessor portanto de um primeiro DVD, gravado em Londres. "É um concerto muito diferente", justifica a fadista. "Baseia-se muito no Transparente, estou a cantar em Lisboa...", continua, lembrando que sempre desejara poder gravar um concerto nesta cidade "para mostrar o que é o público português ao mercado internacional".

Outra das diferenças é meramente uma questão de suporte, já que contra a opção apenas pelo DVD no concerto londrino, este surge em CD e DVD. "Muitas pessoas gostam de ter o registo em áudio, e este acaba por ser um disco muito diferente do Transparente, porque reúne um pouco de cada um dos três discos, onde fui escolher o que gosto mais de cantar, com os novos arranjos", explica Mariza. Concerto em Lisboa leva as atmosferas orquestrais de Transparente aos dois álbuns anteriores, conferindo coerência ao concerto. "Há ali arranjos de cordas que me pareceu que mereciam ficar em disco e não apenas em DVD", sublinha.

E depois de Morelenbaum? Quem será o senhor que se segue? Na verdade, Mariza esclarece que é ainda cedo para pensar em cenários. O futuro ainda não está nas suas preocupações imediatas e, entre risos, confessa alguma preguiça. "É verdade que o tempo de vida do Transparente está a terminar", reconhece. A ideia de assinar novas parcerias, verificada a feliz concretização dos projectos com Jaques Morelenbaum, não é hipótese excluída. "Cada vez mais acho que faço uma música muito vincada, e as pessoas começam a reconhecer o meu fado. Mas ao mesmo tempo tenho vontade de fazer algo para as pessoas verem que não estou assim tão afastada do que é o fado tradicional. Posso cantá-lo à minha maneira."


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