Um médico tarefeiro custa, em média, 40 euros por hora a uma unidade de saúde, mas os valores podem chegar aos 60 em algumas especialidades. Um montante que representa o dobro do que é pago pelo trabalho acrescido aos médicos do quadro - entre 12 e 19 euros, em regime de 35 horas semanais, ou entre 17 e 29 euros, no caso de terem exclusividade.
O bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes, refere que nas empresas de recrutamento há médicos que trabalham no Serviço Nacional de Saúde e que complementam o seu salário com esta actividade, mas também muitos estrangeiros indiferenciados - que não têm uma especialidade médica. "Há de tudo. São médicos que correm o País inteiro, trabalhando horas a fio."
E, apesar dos custos elevados, são cada vez mais os hospitais a recorrer a estes serviços. A Select Clinical é um das 40 empresas que trabalham nesta área e foi pioneira no serviço. A multinacional iniciou o recrutamento de profissionais na área da saúde há quatro anos e diz que, apesar de ser ainda "um sector residual" da sua actividade, está em franco crescimento. Hoje têm contratos com três dezenas de hospitais públicos, por todo o País, mas trabalham também com clínicas privadas.
"É um mercado muito recente mas muito carente", diz Luís Gonzaga Ribeiro, director da empresa para a área da saúde. A carteira de profissionais de saúde - médicos, enfermeiros e auxiliares - chega aos 400. Destes, 80 a 90 são clínicos. Sobre os requisitos exigidos a estas pessoas, Luís Gonzaga Ribeiro explica que a empresa responde na exacta medida "daquilo que é pedido pelos hospitais". "As exigências que fazemos aos profissionais são sempre aquelas que o cliente nos faz a nós." E assegura que a maioria das unidades de saúde "pede médicos com experiência de cinco anos." A Grande Lisboa e o Grande Porto, onde existem hospitais e centros de saúde em maior número, são as zonas onde a procura é maior. Mas em algumas especialidades, como a anestesiologia ou a pediatria, os médicos são quase impossíveis de encontrar. A maioria dos clínicos desta empresa é de medicina interna ou familiar. Por mês, cada um chega a receber entre dois mil a três mil euros.
Se há quatro anos poucos ofereciam este serviço, a Select diz que a concorrência é cada vez maior, com a emergência de várias "pequenas empresas regionais". RA
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