por
Ana Suspiro, Daniel Lam e Isaltina Padrão
O investimento na rede de alta velocidade ferroviária, o maior projecto público nacional, vai chegar aos 9,1 mil milhões de euros. Esta soma inclui já o custo de 1,4 mil milhões de euros da totalidade da ligação Porto- -Vigo que o Governo voltou a considerar prioritária e os 7,7 mil milhões de euros para as linhas Lisboa/Porto e Lisboa/Madrid. Este investimento terá de ser realizado até 2015, data prevista para a conclusão da ligação Lisboa/Porto, com maior esforço financeiro a partir do final da década e até 2013 quando o calendário do Executivo diz que estarão prontas as ligações Porto/Vigo e Lisboa/Madrid.
Embora o esquema de financiamento esteja desenhado em traços gerais - 22% de fundos comunitários, 38% de meios libertos (cash-flow) da exploração e 40% de investimento público -, o Governo ainda não explica como vai concretizar esta estrutura de financiamento. Em particular no que toca à componente do esforço público nacional, da ordem dos três mil milhões de euros (praticamente o custo do aeroporto da Ota). Apesar das garantias do Governo de que as linhas têm uma exploração rentável que permite financiar em parte o investimento, a verdade é que as duas empresas ferroviárias (CP e Refer) tinham até 2005 um passivo de 6,2 mil milhões de euros.
De fora destas contas do investimento público fica a linha Porto/Vigo que o ministro Mário Lino diz que vai ter uma engenharia financeira específica. A decisão de avançar já com a linha Porto/Vigo até 2013, depois de em 2005, o Governo a ter deixado de considerar prioritária, condicionando a sua realização a estudos de viabilidade, acabou por ser a principal novidade no mapa da futura rede ferroviária, apresentada ontem no quadro das orientações estratégicas para o sector. Esta ligação, que custará na primeira fase 700 milhões de euros, passa pela modernização da actual infra-estrutura Porto/Braga. Na segunda fase, também estimada em 700 milhões de euros, será construída uma nova linha com travessa polivalente, preparada para a alta velocidade. O objectivo é fazer a ligação, que terá tráfego misto, em 60 minutos, contra os 90 minutos que demora um automóvel.
Mas mais do que novas soluções técnicas, já que o investimento se mantém igual ao previsto em 2003, o relançamento de Porto/Vigo é explicado pela intensa pressão que entidades públicas e privadas do Norte do País e da Galiza fizeram junto do Governo para provar o interesse económico da ligação. Esta boa nova para o Norte surge uma semana depois de o Governo ter anunciado a introdução de portagens nas Scut (auto- -estradas sem custos para os utilizadores) que atravessam esta região.
Enquanto não avançam as linhas Aveiro/Salamanca e Faro/Huelva, no Lisboa/Porto ficou finalmente esclarecido que a entrada da rede de alta velocidade se fará pelo Norte da capital. A opção pelo Norte permitiu ainda clarificar as ligações ferroviárias à Ota. Ao contrário do previsto no ano passado, o comboio rápido para os passageiros (shuttle) irá circular no corredor de alta velocidade. Esta solução implica a construção de um ramal da linha de TGV até à Ota. Complementarmente, será realizado um novo ramal para ligar o aeroporto à Linha do Norte e assim assegurar ligações do tipo suburbano na rede convencional.
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