por
Carlos Rodrigues Lima
Desde 1983 como auditor jurídico no Ministério da Administração Interna, a escolha de Mário Gomes Dias para vice-procurador-geral da República não entusiasma os magistrados do Ministério Público. O procurador-geral adjunto está ligado a dois casos que, no último ano, marcaram o MAI: o negócio do SIRESP (Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal) e a aposentação compulsiva do dirigente do SPP/PSP António Ramos.
O facto de, nos últimos 20 anos, ter estado afastado da realidade dos tribunais e próximo do poder político é apontado como o seu principal handicap. Sobretudo depois da nomeação de um juiz-conselheiro para procurador-geral da República, a máquina do Ministério Público esperava um "número dois" que conhecesse o sistema por dentro. O nome deverá ser apresentado, na próxima terça-feira, pelo procurador-geral, Pinto Monteiro, aos elementos do Conselho Superior do Ministério Público, a quem cabe nomear o vice-procurador-geral da República.
Quem trabalhou com Mário Gomes Dias na Directoria de Lisboa da PJ aponta-lhe qualidades de liderança e dedicação. "É um homem da linha dura", disse ao DN um inspector que solicitou o anonimato. Enquanto auditor do MAI, propôs a expulsão do histório dirigente sindical José Carreira. O então ministro Alberto Costa converteu a proposta numa multa. Mais tarde, ilibou o "guarda Abel" da PSP no episódio das agressões no túnel do Estádio das Antas.
Recentemente, deu parecer no processo disciplinar a António Ramos, dirigente do Sindicato dos Profissionais da Polícia, na sequência de declarações prestadas aos jornalistas, em que o sindicalista criticava o primeiro-ministro José Sócrates, afirmando que o enviava para o Quénia. Mário Dias Gomes subscreveu a aposentação compulsiva. No documento a que o DN teve acesso, Dias Gomes afirma que o dirigente sindical proferiu tais palavras de uma "forma intimidativa e ameaçadora" para o primeiro-ministro.
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