por
Paula Sanchez
Os bairros-problemas do Lagarteiro, no Porto, da Cova da Moura, na Amadora, e do Vale da Amoreira, na Moita, vão ser alvo de um projecto pioneiro de qualificação e reinserção urbana, que une esforços de sete ministérios, câmaras municipais e técnicos de acção local. Além da recuperação ambiental dos espaços, as "Operações de Qualificação e Reinserção Urbana de Bairros Críticos", orientadas pelo Ministério do Ambiente, visam a promoção de novas oportunidades a partir da escola, da família e do emprego.
Ontem, durante a apresentação do projecto em Lisboa, o primeiro-ministro José Sócrates deixou claro que "o Governo não vai desistir" destes bairros, até porque, realçou, eles são um desafio para a execução de uma verdadeira política de cidades, que tenha em conta a qualidade de vida e o sucesso económico.
A presença física de tantos ministros e secretários de Estado (Ambiente, Saúde, Educação, Solidariedade Social, Cultura, Segurança Interna e Presidência do Conselho de Ministros) é um compromisso do empenho do Governo no sucesso deste programa, sublinhou José Sócrates. Sem esconder a paixão pela política de cidades - o primeiro-ministro lembrou a transformação já operada nos espaços que aderiram ao Programa Polis" - José Sócrates acentuou que o projecto, que se irá estender entre 2007 e 2011, não visa só melhorar os jardins ou recuperar a habitação. "É um desafio que lançamos à educação, à cultura e à segurança", num esforço de articulação e coordenação da administração local e central com parcerias públicas e privadas.
A escolha dos três bairros críticos, segundo o secretário de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades, João Ferrão, assentou na diversidade de génese, de morfologia e até das dinâmicas sociais e institucionais de cada um. O desafio, que irá cruzar no terreno as lógicas de funcionamento do Governo e das câmaras municipais com os interesses e expectativas dos residentes, também passa por compreender diversas realidades que, no futuro, possam ser usadas em outros locais.
Consciente das dificuldades de articulação entre organismos oficiais, que tantas vezes boicota a bondade de programas, João Ferrão pediu "inteligência colectiva", um ingrediente indispensável para "construir uma intervenção integrada, porque baseada numa visão e programas comuns". A segunda ideia do programa, isolada pelo governante, prende-se com a necessidade de serem criadas condições que garantam a sustentatibilidade dos resultados, para além de 2011. A qualidade de vida pretendida, lembrou o secretário de Estado, passa por outras necessidades vitais das populações. Por isso, as acções a desenvolver, e que contarão com o envolvimento de toda a comunidade, "devem orientar-se também para a criação de novas oportunidades", já que, sublinhou, "é assim que se promove mais cidadania".
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