por
Marina Almeida
A proposta de revitalização da Baixa-Chiado foi ontem apresentada publicamente e entregue aos vereadores da Câmara Municipal de Lisboa (CML). "A primeira oportunidade da Baixa-Chiado é a própria Baixa-Chiado", disse na ocasião Maria José Nogueira Pinto, a vereadora responsável pelo projecto. O documento de 163 páginas foi considerado por José Sá Fernandes uma "desilusão", com o vereador a garantir que vai apresentar "uma proposta alternativa".
"Nós tentámos trabalhar de forma a construir um projecto que habilitasse a decisão, fomos ultrapassando os obstáculos que o próprio decisor colocaria", sublinhou Maria José Nogueira Pinto. "É uma questão de decisão", disse, admitindo que o apoio do Estado não está assegurado. "Não há garantias por parte do Estado porque a CML ainda não se debruçou sobre o projecto, que só hoje foi distribuído aos vereadores. Antes de mais é a câmara que tem de se debruçar e aprovar o projecto", disse. O grupo de trabalho liderado por Nogueira Pinto reuniu-se já com o ministro do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional, Nunes Correia, que transmitiu uma ideia "de empenhamento e entusiasmo pelo projecto, sem prejuízo de ir agora detalhadamente estudar" o documento, disse a vereadora.
"Temos pela frente todo um percurso de análise e decisão", disse outro parceiro estratégico do projecto, o presidente da CML, Carmona Rodrigues. O autarca enfatizou o carácter pioneiro da iniciativa: "Nunca antes tinha sido feito um trabalho tão fundo, tão agregador." Do documento apresentado, disse: "São várias propostas vertidas num conjunto que me parece coerente."
O vereador José Sá Fernandes não perdeu tempo a criticar o projecto que diz conter "ideias antiquadas, dos anos 80", e "erros gigantescos para a cidade de Lisboa" e garantiu que vai apresentar uma proposta alternativa mal a autarquia lhe faculte os estudos que diz ter pedido há quatro meses e cuja entrega estará dependente de uma autorização do presidente da câmara.
Sá Fernandes defende uma "discussão alargada" aos cidadãos de Lisboa. Entre as principais críticas, aponta o "esburacar da cidade" com a Circular das Colinas, e "a gare de paquetes em frente a Alfama", que considerou "um atentado ao património histórico" com "paquetes de dez andares que tapam a vista".
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