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Cavaco em Espanha: Um Portugal arrojado e atento aos desafios mundiais

por

Paula Sá  

" Espanha!, Espanha!, Espanha!" Foi esta a prioridade estabelecida por José Sócrates na condução da política externa portuguesa. Neste ponto, o Presidente da República encontra-se em total sintonia com o Governo. E hoje começa a sua primeira visita de Estado ao reino vizinho, que se prolonga até 28 de Setembro. Sem nunca o mencionar, Cavaco Silva pretende afastar uma vez mais o "fantasma do iberismo", ou o temor da colonização económica castelhana, que renasce sempre que se fala de um novo e grande investimento espanhol em solo nacional.

Mas ao mesmo tempo quer demonstrar que a dependência económica entre os dois países é incontornável. "Nada do que se passa em Portugal pode ser ignorado em Espanha", disse aos jornalistas Nunes Liberato, chefe da Casa Civil do Presidente da República, no encontro preparatório da viagem. E Portugal também se pode "constipar" caso a economia espanhola tenha algum deslize, embora nuestros hermanos tenham atingido a convergência com a União Europeia, ao invés de nosotros.

Nesta viagem, Belém aposta numa selecção nacional de "empreendedores", alguns jovens empresários, cientistas e artistas de feição despercebida além-fronteiras. O Presidente não leva consigo os grandes investidores, precisamente os que têm negócios de sotaque castelhano ou catalão. O antecessor, Jorge Sampaio, na sua também primeira visita de Estado a Espanha, teve de os levar na bagagem. As relações económicas entre os dois Estados estavam ainda pouco entrelaçadas do ponto de vista económico.

"Esses [os grandes empresários] já são conhecidos", argumentou Nunes Liberato. Os convidados seleccionados pela Presidência, entre eles a nossa única maestrina Joana Carneiro, permitem, segundo palavras do Frezas Vital, assessor da Presidência para as Relações Internacionais, "mostrar um Portugal de excelência" e capaz de enfrentar o maior dos desafios tecnológicos.

Cavaco quer ainda projectar casos portugueses de sucesso. Primeiro, em Madrid, passa pela Caixa Geral de Depósitos e chama a atenção para a importância das instituições financeiras no apoio às empresas exportadoras.


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