por
Abel Coelho de Morais
Dirigentes muçulmanos e organizações islâmicas exigiam ontem um pedido de desculpas do Papa Bento XVI, devido a declarações proferidas na sua deslocação à Alemanha, em que teria associado o islão à violência e criticado a conversão "pela violência".
A generalidade dos comentários considerava que Bento XVI proferira declarações ofensivas para a fé islâmicae pediam que fosse clarificada a sua posição sobre o islão. Durante o dia realizaram-se manifestações da Palestina ao Paquistão e produziram-se alguns actos de violência, como o lançamento de granadas nas imediações de uma igreja em Gaza.
As posições mais duras vieram do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), do Parlamento e Governo paquistaneses e do Executivo turco, país que Bento XVI visita em Novembro. Aqui, o director do departamento de assuntos religiosos do Governo de Ancara classificou como "odiosos" os propósitos do Papa, afirmando que aquelas declarações "reflectem o ódio no seu coração" e sugerindo o adiamento da visita. Esta hipótese seria afastada pouco depois por fonte diplomática turca e no mesmo sentido se trabalhava no Vaticano, onde as agências asseguravam prosseguirem os preparativos para a viagem de Novembro.
O CCG - que reúne a Arábia Saudita, Koweit, Qatar, Bahrein, Omã e Emiratos Árabes Unidos - emitiu um comunicado em que reivindica "uma desculpa clara e franca", tida por indispensável num momento "em que se multiplicam as campanhas de hostilidade para com os muçulmanos". Para o dirigente saudita, caracterizado como moderado pela AFP, Salmane Al-Odeh, o Papa "preparou bem" a sua intervenção, pois "quis exprimir o ódio que tem pelo islão a coberto da citação de argumentos antigos".
No Paquistão, por iniciativa de um deputado islamita, foi aprovada uma resolução pedindo ao Papa "para se retractar no interesse da harmonia entre as religiões", ao mesmo tempo que uma porta-voz da diplomacia de Islamabad classificava como "lamentável" a comparação de Bento XVI. Por seu lado, um especialista do islão, Javed Ahmed Ghamdi, citado pelo diário Dawn, indicava que o "conceito de jihad não engloba a conversão ao islão pela espada".
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