por
Inês David Bastos
A inspecção periódica a que os veículos estão sujeitos está a ser feita sem rigor e "às cegas" em muitos centros de inspecção técnica de veículos (CITV), que deixam passar falhas graves. Esta é a conclusão a que Deco Proteste chegou depois de ter desenvolvido uma investigação em 30 CITV nos distritos de Aveiro, Coimbra, Faro, Leiria, Porto, Santarém e Setúbal (ver caixa em baixo). E os resultados são, segundo diz a própria Deco, "alarmantes": "Desatenção, falta de rigor e facilitismo caracterizam o serviço prestado." A reportagem que a Associação de Defesa do Consumidor divulga em Setembro na revista Pro Teste tem como título "Carros controlados às cegas".
O que a Deco fez foi levar à inspecção, de forma anónima, 30 veículos com seis deficiências técnicas propositadamente provocadas - duas menos graves, do tipo um, e quatro mais graves, do tipo dois - a 30 CITV. Nenhum dos carros estava em condições de ser aprovado. A ideia era "testar a eficácia dos centros de inspecção a detectar e registar falhas". No final, os centros foram chumbados.
"O exame dos inspectores revelou-se pouco rigoroso e ineficaz. Nenhum dos centros identificou todas as [seis] falhas e, escandalosamente, nove carros passaram sem ser apontada qualquer falha técnica", refere o estudo da Deco. E bastava a verificação de uma deficiência do tipo dois para que o carro chumbasse na inspecção.
A associação apurou que "os inspectores foram pouco criteriosos", que alguns se "esqueceram" de examinar um ou mais pontos e que "estiveram desatentos ou fecharam os olhos aos problemas".
No campo das deficiências de tipo 1, a Deco danificou a escova do pára-brisas do lado do condutor e desapertou a bateria. Nas deficiências do tipo dois, a associação obstruiu o fecho do cinto de segurança da frente, colocou pneus diferentes no eixo trasei- ro, desalinhou o médio esquer- do e reduziu a intensidade da luz de nevoeiro. Muitas destas falhas provocadas em "pontos de controlo obrigatório" não foram detectadas. A Deco dá alguns exemplos.
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