por
Alexandra Machado*
A história da televisão digital terrestre em Portugal é conturbada. Depois de um primeiro concurso abortado, adiou-se o lançamento de novo concurso devido, primeiro, às mudanças dos governos e, depois, à oferta pública de aquisição (OPA) lançada pela Sonaecom sobre a Portugal Telecom.
As últimas declarações do ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Mário Lino, sobre o assunto foram em Julho, no Fórum de Telecomunicações do Diário Económico. Na ocasião, Mário Lino garantia que, "relativamente à televisão digital terrestre, a breve trecho o Governo lançará novo concurso para operadores nesta área". A expectativa de alguns operadores é que o lançamento aconteça no final do ano, início do próximo ano.
Estará Portugal a tempo de cumprir as metas de Bruxelas para o switch off (desligar o sistema analógico e ficar unicamente com o digital) do analógico? A Comissão Europeia quer que os Estados membros desliguem o sistema analógico até 2012, com a recomendação expressa de que aconteça antes, em 2009. Portugal quer manter essa data e por isso no novo concurso um dos critérios de valorização positiva vai ser precisamente a data proposta para a cobertura nacional com o sistema digital. Há alguma expectativa de que em menos de um ano se consiga essa cobertura.
Os operadores, potencialmente concorrentes à TDT, não comentam a possibilidade de a cobertura atingir um âmbito nacional em um ano. O que é certo é que Portugal é actualmente o mais atrasado na TDT na Europa Ocidental. Segundo a Digitab, apenas Portugal, Noruega e Irlanda não têm TDT. No entanto, a Noruega já atribuiu a rede à NTV, operadora de televisão, que iniciará as operações no arranque de 2007. Na Irlanda, está a proceder-se a um teste maciço ao mercado.
Pedro Morais Leitão, administrador da Media Capital, tem sido o mais reivindicativo sobre a necessidade urgente de se lançar a televisão digital terrestre. Esta é, aliás, uma das empresas prejudicadas por esse sucessivo adiamento. A RTP, que tem estado a consolidar a recuperação financeira, ganhou um novo fôlego para os investimentos que a TDT encerra. Tal como a Impresa, que é proprietária da SIC.
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