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A música afinal ainda surpreende a Sudoeste

por

Nuno Galopim

Rodrigo Cabrita (foto)  

Havia quem temesse que um cartaz com menos trunfos que o de edições anteriores ceifasse a vontade de muitos em comparecer, mas não foi isso o que se verificou. Antes pelo contrário. Confirmou-se que a esmagadora maioria dos presentes ali estava pelo convívio esperado. Mas não faltaram bons argumentos musicais. O concerto dos Daft Punk teve a dimensão apoteótica e sabor a momento inesquecível que no passado vivemos com uns Franz Ferdinand, Humanos, Beck, Portishead... Mas um balanço musical desta edição não pode deixar de mencionar igualmente soberbas actuações dos Goldfrapp, Gaiteiros de Lisboa, Final Fantasy, 2008, David Fonseca, Jose Gonzalez, Seu Jorge, Marcelo D2 ou WhoMadeWho.

A décima edição do Sudoeste merece ser apontada como a melhor de sempre do festival. Pela organização já rodada e eficaz, pela limpeza dos espaços, pela volumosa oferta de propostas alternativas aos concertos, pela facilidade de deslocação, pela festa e convívio. E, uma vez mais, a música. O acidente mortal na sexta--feira e um outro, com queimaduras, são poucas entre as notas menos positivas de um festival que correu sobre rodas, a máquina de produção, segurança e manutenção bem oleada e eficaz.

No final da festa sublinhe-se a elevação de uma multidão que, no dia menos concorrido (a quinta-feira) ultrapassou as 25 mil almas. Os sudoestanos de hoje são mais jovens que há dez anos, muitos os adolescentes a viver em pleno umas férias de pais por quatro dias. Uns vinham acompanhados, outros trataram de arranjar companhia, amizades e não só ali nascidas por um fim-de-semana, muitos números de telemóvel todavia trocados para não deixar as novas amizades por ali.

O Sudoeste é, hoje, uma espécie de ritual de passagem. Uma prova de primeiras conquistas de hábitos e jeitos de uma vida adulta mais próxima. Muitos são os que vêm em grupo, os bairros no campismo a vincar essa vontade, pelo sinalizar do espaço, afirmar identidade e, também, reencontrar amigos dos anos anteriores.

Esta edição do Sudoeste representou ainda uma importante manifestação de consciência do potencial turístico do festival na projecção da magnífica região que o acolhe. O Instituto de Turismo de Portugal convidou uma embaixada de jornalistas espanhóis, todos eles claramente satisfeitos com o que ali viram.


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