por
Paula Sá
O Ministério da Administração Interna (MAI) vai manter a campanha publicitária que tem como tema "todos os anos a velocidade nas estradas vitima um avião cheio de crianças", apesar da celeuma que ela está a causar. A Prevenção Rodoviária Portuguesa e a TAP consideraram-na "abusiva" e "chocante".
"O que me choca é o número de vítimas na estrada, o número de crianças que são vítimas", disse ontem o titular da Administração Interna, António Costa, interpelado em Viseu sobre a polémica. O ministro escusou-se a comentar o teor dos spots de rádio e televisão e dos outdoors. "Não sou técnico publicitário", argumentou.
O spot televisivo, que começou a ser divulgado a 28 de Julho, numa parceria MAI/Galp Energia, retrata a entrada de uma série de crianças num avião, a porta fecha-se, um rosto infantil surge na janela oval e o aparelho levanta voo. E a mensagem é lida: "Todos os anos a velocidade nas estradas vitima um avião cheio de crianças."
José Manuel Trigoso, director da Prevenção Rodoviária Portuguesa, insurgiu-se ontem contra o anúncio e considerou a ideia "muito infeliz", já que "não faz sentido comparar o transporte aéreo, o mais seguro do mundo, com o sistema rodoviário". O número de crianças evocado também lhe causou perplexidade. Segundo José Manuel Trigoso, "em 2004 morreram 42 crianças (dos zero aos 14 anos) vítimas de acidentes de viação, enquanto que em 2005 o valor baixou para as 25 vítimas mortais".
Vários sindicatos ligados à aviação já pediram o cancelamento da campanha e a TAP fez um protesto formal junto do MAI.
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